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O Querigma (Parte I) – Querigma e Catequese
No princípio da vida da Igreja, batizavam-se somente os convertidos. Hoje em dia a tarefa é o inverso: converter os batizados. A Igreja precisa ser evangelizada em seu interior para que ela se converta em Boa Nova para o mundo. Por isso, hoje, evangelizar os batizados é imperativo urgente.
A evangelização se dá em dois momentos sucessivos que são complementares e interdependentes:
- O Querigma: Primeiro anúncio de Jesus
- A Catequese: Ensino progressivo da fé
São 2 passos consecutivos, onde o querigma sempre deve anteceder à catequese. Se o querigma é a forte badalada do sino, a catequese é o eco da badalada. A catequese prolonga o anúncio querigmático. Não é fria doutrina ou meros ensinamentos teóricos, mas a extensão e a plenitude da nova vida trazida por Jesus. A vida nos é dada pela fé com que respondemos ao anúncio querigmático, mas a vida em abundância chega à sua plenitude, através da catequese vivida na fé.
O grande erro pedagógico foi sempre o de primeiro catequizar para depois “cristianizar”, ou seja, insistem-se, primeiro, em catequizar os fiéis. No entanto, esqueceu-se o princípio fundamental exigido por Jesus a Nicodemos: É necessário nascer de novo.
Para que a vida de alguém cresça, é necessário ter antes nascido. Não se pode crescer na fé se, antes, não se nasceu para ela. O querigma conduz a este fim: através da apresentação de Jesus, ter uma experiência de vida nova graças à fé e à conversão e experimentar Jesus vivo como Salvador pessoal, como Senhor de toda a vida e como Messias que dá o Espírito Santo, para transformar nosso mundo pelo amor.
Entretanto, para evangelizar estamos colocando o rico alimento da doutrina e da moral cristã junto a cadáveres que não têm a vida de Jesus. Estamos alimentando os mortos. Quando Jesus ressuscitou a filha de Jairo, primeiro devolveu-lhe a vida, entregando-a depois a seus pais (a comunidade) para que lhes desse o alimento. Não podemos suprir com catequese aquilo que é uma experiência de vida nova. A catequese, para produzir fruto abundante que permaneça, deve estar em seu lugar: sempre depois do anúncio querigmático.
O querigma é apresentar Jesus, de modo que o indivíduo tenha uma experiência pessoal do Amor de Deus, suscitando nele uma resposta de fé e entusiasmo por Deus e sua Igreja. Somente, então, o indivíduo sentirá desejo e necessidade de se aprofundar na vida nova que experimentou. Então, ele mesmo buscará a catequese para consolidar sua fé em Jesus e na sua Igreja. Quando se inverte esta ordem, ou seja, evangelizando-se a partir da catequese, damos alimento sólido a quem não deseja, pois ainda está cego ou espiritualmente morto. É como jogar pérolas aos porcos. Como resultado, não se interessam pelo precioso alimento recebido, pois “morto” não se alimenta. Por isso, antes de dar o alimento sólido da catequese, é necessário, primeiro, que o indivíduo renasça espiritualmente e o deseje com fervor, ou seja, tenha experimentado o amor de Deus e a conversão, mediante o anúncio do querigma. Em resumo, o querigma produz o renascimento da vida espiritual, enquanto a catequese, depois, alimenta esta vida espiritual dando-lhe o crescimento.
Quadro comparativo entre Querigma e Catequese:
- No querigma o objetivo é nascer de novo, ter vida. Na catequese é crescer em Cristo, ter vida em abundância.
- No querigma o conteúdo é o anúncio de Jesus, morto, Salvador, Ressuscitado, Senhor, Glorificado e Messias. Na catequese o conteúdo é a explicação da doutrina da fé, moral, dogmas, Bíblia, etc.
- No querigma o método utilizado é a proclamação de Jesus como a Boa Nova e o testemunho pessoal, visando estimular a vontade do evangelizando (= aquele que está sendo evangelizado). Na catequese o método utilizado é o ensino ordenado e progressivo da Fé de toda Igreja, visando iluminar o entendimento.
- No querigma o agente é o evangelizador, que é uma testemunha cheio do Espírito Santo. Na catequese, o agente é o catequista, que é um mestre cheio do Espírito Santo.
- No querigma a meta é o encontro pessoal com Jesus pela fé e conversão e a proclamação de Jesus como Senhor e Salvador. Na catequese a meta é o encontro com o Corpo de Cristo: a comunidade Igreja e, assim, desenvolver a santidade do povo de Deus.
- No querigma o evagelizando dá uma resposta pessoal: Meu Senhor e meu Salvador. Na catequese, a resposta é comunitária: Nosso Senhor, Nosso Salvador.
O Querigma (Parte II) – Os 3 Personagens da Evangelização
Na evangelização há 3 personagens: O Evangelizador, o Evangelizando e o Espírito Santo. Cada um com seu papel bem claro e definido, que não deve ser suplantado pelo outro.
1) O Evangelizando: Escuta e Responde a Deus
· Seu papel é escutar a Palavra anunciada pelo evangelizador
· Ele, e somente ele, dá uma resposta à Palavra proclamada, com uma atitude tanto interior, quanto exterior
· Ele se confessa pecador e pede perdão de seus pecados
· Proclama Jesus como Senhor de sua vida
· Pede a Jesus Messias o Espírito Santo e o recebe
Não lhe compete:
· Discutir com o evangelizador. Porém, é legítimo que faça perguntas e tire dúvidas
· Dar, mas apenas receber
· Justificar-se: “eu não faço nada de mal”, nem condenar-se: “eu não tenho perdão”
2) O Espírito Santo: Convence e Converte
· A proclamação e o testemunho do evangelizador são instrumentos necessários, mas apenas instrumentos, já que o agente principal da evangelização é o Espírito Santo. Ele atua tanto no evangelizador quanto no evangelizando.
Atuação do Espírito Santo no evangelizador:
· Dá-lhe zelo pelo Evangelho
· Unge-o e usa-o como canal de sua obra
· Enche-o de poder e amor
Atuação do Espírito Santo no evangelizando:
· Usando as palavras e atitudes do evangelizador como veículo de sua obra salvífica, o Espírito Santo é quem realiza com eficácia a obra da evangelização, infundindo a fé, para convencê-lo de que é pecador necessitado de salvação e, em consequencia, que proclame Jesus como Salvador e Senhor.
3) O Evangelizador: Proclama e Testemunha
· Proclama Jesus, uma Pessoa Viva e seus atos de Salvação
· Anuncia jubilosamente a Boa Nova: Já fomos salvos
· Apresenta Jesus Salvador como a única solução para cada homem, para a sociedade e para o mundo inteiro
· É testemunha e dá testemunho: Com sua própria vida e em todo tempo e lugar, é testemunha de que graças a Jesus é possível viver de uma maneira nova neste mundo, e que sua morte e ressurreição são eficazes nos dias atuais. E testifica com palavras o que Deus realizou nele
Não lhe compete:
· Ensinar teorias ou apresentar doutrinas.
· Defender Deus. O advogado é o Espírito Santo.
· Tentar convencer o evangelizando com argumentos, citações bíblicas, sugestão ou qualquer tipo de manipulação dos sentimentos.
· Converter e transformar as pessoas, pois quem converte e transforma é o Espírito Santo.
· Ver o fruto terminado da obra de evangelização
Há 4 condições necessárias para se poder ser um evangelizador e, posteriormente, um formador de evangelizadores:
· Ter experiência de salvação
· Ter zelo pelo evangelho
· Análise da realidade
· Viver o Evangelho
Analisemos estas condições:
1) Ter experiência de salvação
A primeira experiência de todo evangelizador é ter tido uma experiência pessoal de salvação.
Não basta saber muita doutrina, ser diplomado em teologia ou ter título ou função na Igreja. É necessário “ter nascido de novo”, como exigia Jesus do sábio Nicodemos (Jo 3,3).
O evangelizador não é um mestre, mas sim uma testemunha: proclama Jesus Salvador e dá testemunho do que viu e ouviu. Não só sabe que Deus é Amor: Ele teve a experiência pessoal de ser amado incondicionalmente. Já teve seu encontro pessoal com Jesus e o proclamou seu Salvador pessoal e Senhor de toda sua vida. O Espírito Santo o marcou com um selo indelével. Se proclama que Jesus salva, é porque antes ele já viveu essa salvação na própria carne.
2) Ter zelo pelo evangelho
O zelo pelo Evangelho é um desejo intenso de que Cristo Jesus seja conhecido, amado e servido por todos os homens e, ao mesmo tempo, é um compromisso com o homem para que seja mais digno, mais livre, mais homem.
O zelo pelo Evangelho é um fogo implacável no coração, que não se deixa extinguir e que procura incendiar a todos.
É uma espada afiada que não se detém diante de nenhuma dificuldade, até deixar semeada a semente da Palavra de Deus no mundo. É boca de profeta que não cala por respeitos humanos, estruturas asfixiantes ou medo disfarçado de prudência.
“Calçados com o zelo pelo Evangelho” (Ef 6,15), seu único acompanhante é o bastão, como o de Moisés, para mostrar que, com o poder de Deus, é possível atravessar o Mar Vermelho das dificuldades e dos problemas.
Esse zelo deve converter-se em paixão, que coloca o trabalho evangelizador acima de qualquer outra coisa na vida. E mais: É necessária a obsessão de que o que importa na vida é anunciar a pessoa, a vida e os ensinamentos de Jesus, assim como instaurar seu Reino de justiça, gozo e paz neste mundo.
Paulo estava cheio desse zelo quando exclamava: “ai de mim senão evangelizar”, por isso, era capaz de superar todas as adversidades que nos conta em 2Cor 11,23-29.
3) Análise da realidade
A mensagem não é uma camisa-de-força que se impõe, e sim uma opção que propõe a homens livres, inseridos numa cultura, para que com sua vontade tomem a decisão de viver o Evangelho, implantando os valores do Reino em sua realidade histórica.
As estruturas sócio-políticas e culturais são o terreno onde se semeia a palavra. Nesse marco concreto, o Evangelho se encarna para transformar as situações de pecado. Aculturar o Evangelho é o grande desafio dos evangelizadores, sob pena de permanecer no superficial ou no sentimental.
4) Viver o Evangelho
O estilo de vida do evangelizador determina a mensagem que transmite, seja porque adquire alta reputação, seja porque se desprestigia. O evangelizador não é um frio transmissor de uma propaganda, mas ele encarna a mensagem, convertendo-se ele próprio, com seu estilo de vida, em parte da mensagem.
Isso exige que ele creia profundamente naquilo que prega e que viva de acordo com o que crê. O evangelizador não é um simples propagandista. Ele vive de acordo com a mensagem que transmite. Se não existe congruência entre a vida e a mensagem, ela desvirtua-se e é mal interpretada, pois não é possível esperar que os outros creiam naquilo que o evangelizador não professa.
Paulo, porque vive o que prega, atreve-se a dizer: Sejam meus imitadores como eu mesmo o sou de Cristo.
O Querigma – Pedagogia para fazer o Anúncio Querigmático
1) O Querigma deve ser Atual: Hoje
Não se trata de falar de acontecimentos perdidos no passado, nem sequer há 2 mil anos atrás, mas sim de forma atual, tornando presente a eficácia da salvação. Por exemplo, mais do que falar do Deus eterno, apresentar Deus que hoje ama, que cura e liberta hoje. Que o homem pode obter a Salvação, se hoje crê e se converte; que o dom do Espírito Santo é para os tempos atuais e que é urgente criar o Evangelho na comunidade cristã.
2) O Anúncio Querigmático deve ser direto: a ti
Não se trata de falar impessoal ou teoricamente, mas sim que “Deus te ama pessoalmente”. Não se trata de apresentar o tema sobre a essência do pecado, mas de interpelar o evangelizando, dizendo: “Necessitas de salvação porque não podes salvar a ti mesmo!”. Mais do que uma aula de Cristologia, deve-se oferecer um Cristo Jesus vivo, com quem é possível ter um encontro pessoal e receber o dom do Espírito Santo. Não se trata de falar em abstrato, mas sim, concretamente.
3) O Evangelizador deve concatenar os temas do anúncio querigmático
Deus te ama, mas teu pecado te impede de senti-lo. Entretanto, Ele já te perdoou e libertou pela morte e ressurreição de Cristo Jesus. A única coisa que tu deves fazer é crer e converter-te a fim de receber seu amor, que é o Espírito Santo e possas viver na família de Deus, a comunidade cristã.
Esta concatenação reflete o diálogo espontâneo, aonde o evangelizador vai respondendo as perguntas que o evangelizando vai se fazendo inconscientemente. Veja:
· Evangelizador: Deus te ama hoje
· Evangelizando: Mas porque não o sinto?
· Evangelizador: Porque és pecador e necessitado de salvação.
· Evangelizando: E qual é a solução?
· Evangelizador: Jesus já te salvou.
· Evangelizando: Que devo fazer então?
· Evangelizador: Crê e converte-te já, proclamando Jesus como Salvador e Senhor.
· Evangelizando: Como acontece isso?
· Evangelizador: Pede e recebe o dom do Espírito Santo.
· Evangelizando: E depois? O que fazer?
· Evangelizador: Persevera com Jesus na comunidade Igreja.
4) O Evangelizador deve dar seu testemunho de vida
O testemunho pessoal é o centro de uma evangelização eficaz. É o testemunho de como Jesus transformou a vida e como já se vive a vida nova. Portanto, é vivencial e pessoal. Não se apresentam idéias ou doutrinas, mas fatos concretos nos quais foi experimentada a salvação de Jesus.
Como pode alguém afirmar com segurança e convicção que Jesus salva, se ele mesmo não o experimentou de alguma forma? Alguém é testemunha de Cristo, quando aspectos concretos da vida de pecado já morreram na cruz de Jesus e já se participa das primícias da vida nova de Cristo ressuscitado.
Em um testemunho manifesta-se não o que nós fizemos pelo Senhor, mas sim o que Ele realizou em nossas vidas. Um exemplo é o daquele homem a quem Jesus ensinou a dar testemunho: “Vai para a tua casa e para os teus e anuncia-lhes tudo o que fez por ti o Senhor na sua misericórdia” (Mt 5,19)
O testemunho deve ter 3 características: ABC (Alegre, Breve e Centrado em Cristo)
Alegre:
Um testemunho deve estar envolto numa atmosfera de alegria, acompanhado de um sorriso, do entusiasmo das palavras e da convicção dos olhos. A alegria é o primeiro sinal de quem encontrou o tesouro escondido. Não se trata de uma alegria porque não existem problemas, mas sim porque a alegria do Senhor é nossa fortaleza.
Breve:
Um bom testemunho deve ser centrado no fundamental da obra salvífica de Deus, sem entrar em detalhes acidentais ou complicados. Os relatos longos são cansativos porque se perde o enfoque fundamental. Não se devem exagerar as coisas, nem o nosso pecado, nem a obra salvífica de Deus.
Centrado em Cristo:
Um testemunho não está centrado em quem o dá, para que os outros o admirem, mas sim centrado em Cristo mesmo, e em sua obra salvífica.
Há quem pense que os testemunhos que mais impressionam são aqueles em que Deus realizou coisas maravilhosas e mudanças radicais, acompanhados por milagres e sinais extraordinários. Não é sempre assim. Cada testemunho toca às pessoas que estão seguindo um caminho semelhante. Há muitas pessoas que se parecem com cada um de nós e não necessitam de grandes coisas. Nosso testemunho para eles será uma grande libertação.
O testemunho deve terminar sempre com uma explícita exortação: “Se fez em mim, pode fazer em ti. O Senhor quer fazer também em tua vida”.
5) O Querigma deve ser anunciado com o poder do Espírito Santo
É o Espírito Santo quem impulsiona cada um para anunciar o Evangelho e quem faz aceitar e compreender a Palavra da Salvação.
“Não haverá nunca uma evangelização possível sem a ação do Espírito Santo. As técnicas de evangelização são boas, mas nem as mais aperfeiçoadas poderiam substituir a ação direta do Espírito” (E.N. 75).
O eloquente discurso de Paulo, no Aerópago Ateniense, demonstra que a eficácia do Evangelho não reside em palavras cheias de sabedoria e ciência, mas na ação do Espírito Santo. O poder não está necessariamente nos gritos ou nas qualidades de sugestão ou de oratória, mas na ação eficaz, às vezes discreta, outras vezes portentosa, com que o evangelizando se abre e se rende à pregação e à obra salvífica de Deus.
6) A santidade do evangelizador
O verdadeiro evangelizador é quem traz em si a imagem de Cristo Jesus. Só quem tem o estilo de vida de Jesus é capaz de ser canal de sua vida. Um evangelizador santo atua com pureza de intenção porque só tem um objetivo em sua vida e não busca nenhuma compensação humana de benefício pessoal: que Jesus Cristo seja mais conhecido, seguido e amado por todos os homens.
7) O evangelizador deve ser movido pelo amor
O Evangelizador deve ter amor ao Evangelho, a Jesus e ao evangelizando. Sem ele o ministério do evangelizador seria como bronze que ressoa. O evangelizando deve sentir, de algum modo, um lampejo do amor de Deus, através de cada gesto e atitude do evangelizador. “A obra do evangelizador supõe um amor fraternal àqueles que evangeliza” (E.N. 79)
Usar de exemplos e parábolas
A forma mais pedagógica de anunciar o Evangelho é através de exemplos claros que consigam explicar de uma maneira simples o que se quer transmitir. Histórias e vivências gravam muito mais na mente dos ouvintes do que qualquer tipo de instrução teórica. Para cada tema ou verdade se deve encontrar exemplos atuais e modernos que facilitem sua compreensão.
9) Usar as Escrituras
É imprescindível levar e usar um exemplar da Bíblia quando se evangeliza. É muito importante saber de cor as passagens fundamentais do anúncio querigmático, para utilizá-los com presteza e boa pronúncia. Entretanto, mais importante do que os recitar de cor, é lê-los diretamente da Bíblia e, quando possível, que o evangelizando mesmo os leia em voz alta.
Também é muito importante que cada evangelizando tenha sua Bíblia, para que ele se alimente do Pão da Palavra de Deus. No caso de não poder adquiri-la, deve-se procurar uma forma de presenteá-lo, ao menos, com um Novo Testamento.
10) O Evangelizando deve tomar uma decisão
Um erro frequente da evangelização é tratar de convencer mediante argumentos apologéticos. Dizia o Bispo Fulton Sheen: “Cada vez que ganhei uma discussão, perdi uma alma”. O ponto ao qual se deve dirigir toda a proclamação não é tanto a compreensão, pois que não se apresenta uma doutrina. Jesus quer entrar pelo coração para chegar ao cérebro. Na catequese o entendimento terá um papel tão primordial quanto a vontade no anúncio querigmático.
O bom evangelizador deve procurar desafiar o evangelizando para que tome a grande decisão de sua vida: adquirir a pérola preciosa vendendo todas as demais ou permanecer surdo a sua voz. Dizer sim ou não, mas não ficar indiferente frente ao oferecimento da salvação. Portanto, não se trata de convencer, de seduzir, menos ainda enganar ou chantagear! Simplesmente, é uma questão de que, diante da pessoa de Cristo Jesus, se diga um sim total ou um não completo. Quando o evangelizando fica morno ou indiferente, devemos verificar se estamos apresentando a pessoa viva de Jesus ou estamos propondo teorias.
11) Acompanhar o evangelizando
O evangelizador participa da paternidade de Deus, pois gera a vida de Cristo nos outros. Mas esta paternidade deve ser responsável, zelando por aqueles que foram gerados na fé. Nosso compromisso não termina com fazer o evangelizando nascer de novo, mas em oferecer-lhe os meios de crescimento e de integração em uma comunidade de serviço dentro da Igreja. Portanto, é importante que se acompanhe o evangelizado, como fazia Paulo: “Tornemos a visitar os irmãos por todas as cidades onde temos pregado a Palavra do Senhor, para ver como estão passando.” (At 15,36).
12) Integração com a Igreja
A Igreja é evangelizadora e, ao mesmo tempo, é um Evangelho, porquanto, é ela mesma uma manifestação da Nova Vida trazida por Jesus. O objetivo último da evangelização não é a transformação de indivíduos isolados sem nenhum nexo entre si, mas a integração de comunidades cristãs autênticas, onde é vivida a salvação trazida por Cristo Jesus. E mais, a vida em plenitude só se experimenta em plenitude em união efetiva com os demais irmãos na fé: a Igreja. Toda a evangelização tende à integração das comunidades cristãs, onde se manifesta de maneira clara e efetiva o amor de Deus derramado por nós, em nosso coração, pelo Espírito Santo.
A comunidade não é opcional. É absolutamente necessária para perseverar na vida nova. Ela nos garante o crescimento e o desenvolvimento do neo-evangelizado. Sem ela, a semente da Palavra da Salvação será afogada pelas preocupações da vida e os valores anti-evangélicos que regem o mundo. À comunidade não se assiste, mas pertence-se. Faz-se parte ativa dela. Ali, dá-se e se recebe amor como o de Jesus: que nos dispõe a entregar a vida pela pessoa amada. Isto é o que essencialmente forma a comunidade: o amor cristão.
José H. Prado Flores
Livro: Como Evangelizar os Batizados (Ed. Loyola)
— Ouve, meu povo, porque eu sou o teu Deus! – 10/2/2012
Primeira Leitura (1Rs 11,29-32; 12,19)
Leitura do Primeiro Livro dos Reis.
11,29Aconteceu, naquele tempo, que, tendo Jeroboão saído de Jerusalém, veio ao seu encontro o profeta Aías, de Silo, coberto com um manto novo. Os dois achavam-se sós no campo. 30Aías, tomando o manto novo que vestia, rasgou-o em doze pedaços 31e disse a Jeroboão: ‘Toma para ti dez pedaços. Pois assim fala o Senhor, Deus de Israel: Eis que vou arrancar o reino das mãos de Salomão e te darei dez tribos.
32Mas ele ficará com uma tribo, por consideração para com meu servo Davi e para com Jerusalém, cidade que escolhi dentre todas as tribos de Israel”. 12,19Israel rebelou-se contra a casa de Davi até o dia de hoje.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Responsório (Sl 80)
— Ouve, meu povo, porque eu sou o teu Deus!
— Ouve, meu povo, porque eu sou o teu Deus!
— Em teu meio não exista um deus estranho nem adores a um deus desconhecido! Porque eu sou o teu Deus e teu Senhor, que da terra do Egito te arranquei.
— Mas meu povo não ouviu a minha voz, Israel não quis saber de obedecer-me. Deixei, então, que eles seguissem seus caprichos, abandonei-os ao seu duro coração.
— Quem me dera que meu povo me escutasse! Que Israel andasse sempre em meus caminhos! Seus inimigos, sem demora, humilharia e voltaria minha mão contra o opressor.
Aclamação (At 16,14b)
— Aleluia, aleluia, aleluia.
— Aleluia, aleluia, aleluia.
— Abri-nos, ó Senhor, o coração, para ouvirmos a palavra de Jesus!
Evangelho (Mc 7,31-37)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 31Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole. 32Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. 33Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. 34Olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer: “Abre-te!” 35Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade.
36Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam. 37Muito impressionados, diziam: “Ele tem feito bem todas as coisas: Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Primeira Leitura (1Rs 11,29-32; 12,19)
Leitura do Primeiro Livro dos Reis.
11,29Aconteceu, naquele tempo, que, tendo Jeroboão saído de Jerusalém, veio ao seu encontro o profeta Aías, de Silo, coberto com um manto novo. Os dois achavam-se sós no campo. 30Aías, tomando o manto novo que vestia, rasgou-o em doze pedaços 31e disse a Jeroboão: ‘Toma para ti dez pedaços. Pois assim fala o Senhor, Deus de Israel: Eis que vou arrancar o reino das mãos de Salomão e te darei dez tribos.
32Mas ele ficará com uma tribo, por consideração para com meu servo Davi e para com Jerusalém, cidade que escolhi dentre todas as tribos de Israel”. 12,19Israel rebelou-se contra a casa de Davi até o dia de hoje.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Responsório (Sl 80)
— Ouve, meu povo, porque eu sou o teu Deus!
— Ouve, meu povo, porque eu sou o teu Deus!
— Em teu meio não exista um deus estranho nem adores a um deus desconhecido! Porque eu sou o teu Deus e teu Senhor, que da terra do Egito te arranquei.
— Mas meu povo não ouviu a minha voz, Israel não quis saber de obedecer-me. Deixei, então, que eles seguissem seus caprichos, abandonei-os ao seu duro coração.
— Quem me dera que meu povo me escutasse! Que Israel andasse sempre em meus caminhos! Seus inimigos, sem demora, humilharia e voltaria minha mão contra o opressor.
Aclamação (At 16,14b)
— Aleluia, aleluia, aleluia.
— Aleluia, aleluia, aleluia.
— Abri-nos, ó Senhor, o coração, para ouvirmos a palavra de Jesus!
Evangelho (Mc 7,31-37)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 31Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole. 32Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. 33Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. 34Olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer: “Abre-te!” 35Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade.
36Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam. 37Muito impressionados, diziam: “Ele tem feito bem todas as coisas: Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
— Ouve, meu povo, porque eu sou o teu Deus! – 10/2/2012
Primeira Leitura (1Rs 11,29-32; 12,19)
Leitura do Primeiro Livro dos Reis.
11,29Aconteceu, naquele tempo, que, tendo Jeroboão saído de Jerusalém, veio ao seu encontro o profeta Aías, de Silo, coberto com um manto novo. Os dois achavam-se sós no campo. 30Aías, tomando o manto novo que vestia, rasgou-o em doze pedaços 31e disse a Jeroboão: ‘Toma para ti dez pedaços. Pois assim fala o Senhor, Deus de Israel: Eis que vou arrancar o reino das mãos de Salomão e te darei dez tribos.
32Mas ele ficará com uma tribo, por consideração para com meu servo Davi e para com Jerusalém, cidade que escolhi dentre todas as tribos de Israel”. 12,19Israel rebelou-se contra a casa de Davi até o dia de hoje.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Responsório (Sl 80)
— Ouve, meu povo, porque eu sou o teu Deus!
— Ouve, meu povo, porque eu sou o teu Deus!
— Em teu meio não exista um deus estranho nem adores a um deus desconhecido! Porque eu sou o teu Deus e teu Senhor, que da terra do Egito te arranquei.
— Mas meu povo não ouviu a minha voz, Israel não quis saber de obedecer-me. Deixei, então, que eles seguissem seus caprichos, abandonei-os ao seu duro coração.
— Quem me dera que meu povo me escutasse! Que Israel andasse sempre em meus caminhos! Seus inimigos, sem demora, humilharia e voltaria minha mão contra o opressor.
Aclamação (At 16,14b)
— Aleluia, aleluia, aleluia.
— Aleluia, aleluia, aleluia.
— Abri-nos, ó Senhor, o coração, para ouvirmos a palavra de Jesus!
Evangelho (Mc 7,31-37)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 31Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole. 32Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. 33Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. 34Olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer: “Abre-te!” 35Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade.
36Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam. 37Muito impressionados, diziam: “Ele tem feito bem todas as coisas: Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Primeira Leitura (1Rs 11,29-32; 12,19)
Leitura do Primeiro Livro dos Reis.
11,29Aconteceu, naquele tempo, que, tendo Jeroboão saído de Jerusalém, veio ao seu encontro o profeta Aías, de Silo, coberto com um manto novo. Os dois achavam-se sós no campo. 30Aías, tomando o manto novo que vestia, rasgou-o em doze pedaços 31e disse a Jeroboão: ‘Toma para ti dez pedaços. Pois assim fala o Senhor, Deus de Israel: Eis que vou arrancar o reino das mãos de Salomão e te darei dez tribos.
32Mas ele ficará com uma tribo, por consideração para com meu servo Davi e para com Jerusalém, cidade que escolhi dentre todas as tribos de Israel”. 12,19Israel rebelou-se contra a casa de Davi até o dia de hoje.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Responsório (Sl 80)
— Ouve, meu povo, porque eu sou o teu Deus!
— Ouve, meu povo, porque eu sou o teu Deus!
— Em teu meio não exista um deus estranho nem adores a um deus desconhecido! Porque eu sou o teu Deus e teu Senhor, que da terra do Egito te arranquei.
— Mas meu povo não ouviu a minha voz, Israel não quis saber de obedecer-me. Deixei, então, que eles seguissem seus caprichos, abandonei-os ao seu duro coração.
— Quem me dera que meu povo me escutasse! Que Israel andasse sempre em meus caminhos! Seus inimigos, sem demora, humilharia e voltaria minha mão contra o opressor.
Aclamação (At 16,14b)
— Aleluia, aleluia, aleluia.
— Aleluia, aleluia, aleluia.
— Abri-nos, ó Senhor, o coração, para ouvirmos a palavra de Jesus!
Evangelho (Mc 7,31-37)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 31Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole. 32Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. 33Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. 34Olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer: “Abre-te!” 35Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade.
36Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam. 37Muito impressionados, diziam: “Ele tem feito bem todas as coisas: Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
— Lembrai-vos, ó Senhor, de mim lembrai-vos, segundo o amor que demonstrais ao vosso povo! – 9/2/2012
Primeira Leitura (1Rs 11,4-13)
Leitura do Primeiro Livro dos Reis.
4Quando Salomão ficou velho, suas mulheres desviaram o seu coração para outros deuses e seu coração já não pertencia inteiramente ao Senhor, seu Deus, como o do seu pai Davi. 5Salomão prestou culto a Astarte, deusa dos sidônios, e a Melcom, ídolo dos amonitas. 6Ele fez o que desagrada ao Senhor e não lhe foi inteiramente fiel, como seu pai Davi.
7Foi então que Salomão construiu um santuário para Camos, ídolo de Moab, no monte que está defronte de Jerusalém, e para Melcom, ídolo dos amonitas. 8Fez o mesmo para todas as suas mulheres estrangeiras, as quais queimavam incenso e ofereciam sacrifícios aos seus deuses. 9Então o Senhor irritou-se contra Salomão, porque o seu coração tinha-se desviado do Senhor, Deus de Israel, que lhe tinha aparecido duas vezes 10e lhe proibira expressamente seguir a outros deuses. Mas ele não obedeceu à ordem do Senhor.
11E o Senhor disse a Salomão: “Já que procedeste assim, e não guardaste a minha aliança, nem as leis que te prescrevi, vou tirar-te o reino e dá-lo a um teu servo. 12Mas, por amor de teu pai Davi, não o farei durante a tua vida; é da mão de teu filho que o arrebatarei. 13Não te tirarei o reino todo, mas deixarei ao teu filho uma tribo, por consideração para com meu servo Davi e para com Jerusalém, que escolhi”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Responsório (Sl 105)
— Lembrai-vos, ó Senhor, de mim lembrai-vos, segundo o amor que demonstrais ao vosso povo!
— Lembrai-vos, ó Senhor, de mim lembrai-vos, segundo o amor que demonstrais ao vosso povo!
— Felizes os que guardam seus preceitos e praticam a justiça em todo o tempo! Lembrai-vos, ó Senhor, de mim, lembrai-vos, pelo amor que demonstrais ao vosso povo!
— Misturaram-se, então, com os pagãos, e aprenderam seus costumes depravados. Aos ídolos pagãos prestaram culto, que se tomaram armadilha para eles;
— Pois imolaram até mesmo os próprios filhos, sacrificaram suas filhas aos demônios. Acendeu-se a ira de Deus contra o seu povo, e o Senhor abominou a sua herança.
Aclamação (Tg 1,21)
— Aleluia, aleluia, aleluia.
— Aleluia, aleluia, aleluia.
— Acolhei docilmente a Palavra semeada em vós, meus irmãos; ela pode salvar vossas vidas!
Evangelho (Mc 7,24-30)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 24Jesus saiu e foi para a região de Tiro e Sidônia. Entrou numa casa e não queria que ninguém soubesse onde ele estava. Mas não conseguiu ficar escondido.
25Uma mulher, que tinha uma filha com um espírito impuro, ouviu falar de Jesus. Foi até ele e caiu a seus pés. 26A mulher era pagã, nascida na Fenícia da Síria. Ela suplicou a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio. 27Jesus disse: “Deixa primeiro que os filhos fiquem saciados, porque não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos”.
28A mulher respondeu: “É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem as migalhas que as crianças deixam cair”.
29Então Jesus disse: “Por causa do que acabas de dizer, podes voltar para casa. O demônio já saiu de tua filha”. 30Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já havia saído dela.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Primeira Leitura (1Rs 11,4-13)
Leitura do Primeiro Livro dos Reis.
4Quando Salomão ficou velho, suas mulheres desviaram o seu coração para outros deuses e seu coração já não pertencia inteiramente ao Senhor, seu Deus, como o do seu pai Davi. 5Salomão prestou culto a Astarte, deusa dos sidônios, e a Melcom, ídolo dos amonitas. 6Ele fez o que desagrada ao Senhor e não lhe foi inteiramente fiel, como seu pai Davi.
7Foi então que Salomão construiu um santuário para Camos, ídolo de Moab, no monte que está defronte de Jerusalém, e para Melcom, ídolo dos amonitas. 8Fez o mesmo para todas as suas mulheres estrangeiras, as quais queimavam incenso e ofereciam sacrifícios aos seus deuses. 9Então o Senhor irritou-se contra Salomão, porque o seu coração tinha-se desviado do Senhor, Deus de Israel, que lhe tinha aparecido duas vezes 10e lhe proibira expressamente seguir a outros deuses. Mas ele não obedeceu à ordem do Senhor.
11E o Senhor disse a Salomão: “Já que procedeste assim, e não guardaste a minha aliança, nem as leis que te prescrevi, vou tirar-te o reino e dá-lo a um teu servo. 12Mas, por amor de teu pai Davi, não o farei durante a tua vida; é da mão de teu filho que o arrebatarei. 13Não te tirarei o reino todo, mas deixarei ao teu filho uma tribo, por consideração para com meu servo Davi e para com Jerusalém, que escolhi”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Responsório (Sl 105)
— Lembrai-vos, ó Senhor, de mim lembrai-vos, segundo o amor que demonstrais ao vosso povo!
— Lembrai-vos, ó Senhor, de mim lembrai-vos, segundo o amor que demonstrais ao vosso povo!
— Felizes os que guardam seus preceitos e praticam a justiça em todo o tempo! Lembrai-vos, ó Senhor, de mim, lembrai-vos, pelo amor que demonstrais ao vosso povo!
— Misturaram-se, então, com os pagãos, e aprenderam seus costumes depravados. Aos ídolos pagãos prestaram culto, que se tomaram armadilha para eles;
— Pois imolaram até mesmo os próprios filhos, sacrificaram suas filhas aos demônios. Acendeu-se a ira de Deus contra o seu povo, e o Senhor abominou a sua herança.
Aclamação (Tg 1,21)
— Aleluia, aleluia, aleluia.
— Aleluia, aleluia, aleluia.
— Acolhei docilmente a Palavra semeada em vós, meus irmãos; ela pode salvar vossas vidas!
Evangelho (Mc 7,24-30)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 24Jesus saiu e foi para a região de Tiro e Sidônia. Entrou numa casa e não queria que ninguém soubesse onde ele estava. Mas não conseguiu ficar escondido.
25Uma mulher, que tinha uma filha com um espírito impuro, ouviu falar de Jesus. Foi até ele e caiu a seus pés. 26A mulher era pagã, nascida na Fenícia da Síria. Ela suplicou a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio. 27Jesus disse: “Deixa primeiro que os filhos fiquem saciados, porque não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos”.
28A mulher respondeu: “É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem as migalhas que as crianças deixam cair”.
29Então Jesus disse: “Por causa do que acabas de dizer, podes voltar para casa. O demônio já saiu de tua filha”. 30Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já havia saído dela.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
— O justo tem nos lábios o que é sábio. – 8/2/2012
primeira Leitura (1Rs 10,1-10)
Leitura do Primeiro Livro dos Reis.
1Naqueles dias, a rainha de Sabá, tendo ouvido falar – para a glória do Senhor – da fama de Salomão, veio prová-lo com enigmas. 2Chegou a Jerusalém com numerosa comitiva, com camelos carregados de aromas, e enorme quantidade de ouro e pedras preciosas. Apresentou-se ao rei Salomão e expôs-lhe tudo o que tinha em seu pensamento.
3Salomão soube responder a todas as suas perguntas: para ele nada houve tão obscuro que não pudesse esclarecer. 4Quando a rainha de Sabá viu toda a sabedoria de Salomão, a casa que tinha construído, 5os manjares da sua mesa, os cortesãos sentados em ordem à mesa, as diversas classes dos que o serviam e suas vestes, os copeiros, os holocaustos que ele oferecia no templo do Senhor, ficou pasmada e disse ao rei:
6“Realmente era verdade o que eu ouvi no meu país a respeito de tuas palavras e de tua sabedoria! 7Eu não queria acreditar no que diziam, até que vim e vi com os meus próprios olhos, e reconheci que não me tinham dito nem a metade. Tua sabedoria e tua riqueza são muito maiores do que a fama que chegara aos meus ouvidos. 8Feliz a tua gente, felizes os teus servos que gozam sempre da tua presença e que ouvem a tua sabedoria! 9Bendito seja o Senhor, teu Deus, a quem agradaste, que te colocou sobre o trono de Israel, porque o Senhor amou Israel para sempre, e te constituiu rei para governares com justiça e equidade”.
10Depois, ela deu ao rei cento e vinte talentos de ouro e grande quantidade de aromas e pedras preciosas. Nunca mais foi trazida tanta quantidade de aromas como a que a rainha de Sabá deu ao rei Salomão.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus
Responsório (Sl 36)
— O justo tem nos lábios o que é sábio.
— O justo tem nos lábios o que é sábio.
— Deixa aos cuidados do Senhor o teu destino; confia nele, e com certeza ele agirá. Fará brilhar tua inocência como a luz, e o teu direito, como o sol do meio-dia.
— O justo tem nos lábios o que é sábio, sua língua tem palavras de justiça; traz a Aliança do seu Deus no coração, e seus passos não vacilam no caminho.
— A salvação dos piedosos vem de Deus; ele os protege nos momentos de aflição. O Senhor lhes dá ajuda e os liberta, defende-os e protege-os contra os ímpios, e os guarda porque nele confiaram.
Aclamação (Jo 17,17)
— Aleluia, aleluia, aleluia.
— Aleluia, aleluia, aleluia.
— Vossa palavra é a verdade; santificai-nos na verdade!
Evangelho (Mc 7,14-23)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 14Jesus chamou a multidão para perto de si e disse: “Escutai todos e compreendei: 15o que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. 16Quem tem ouvidos para ouvir ouça”.
17Quando Jesus entrou em casa, longe da multidão, os discípulos lhe perguntaram sobre essa parábola. 18Jesus lhes disse: “Será que nem vós compreendeis? Não entendeis que nada do que vem de fora e entra numa pessoa pode torná-la impura, 19porque não entra em seu coração, mas em seu estômago e vai para a fossa?” Assim Jesus declarava que todos os alimentos eram puros.
20Ele disse: “O que sai do homem, isso é que o torna impuro. 21Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, 22adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. 23Todas estas coisas más saem de dentro e são elas que tornam impuro o homem”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
primeira Leitura (1Rs 10,1-10)
Leitura do Primeiro Livro dos Reis.
1Naqueles dias, a rainha de Sabá, tendo ouvido falar – para a glória do Senhor – da fama de Salomão, veio prová-lo com enigmas. 2Chegou a Jerusalém com numerosa comitiva, com camelos carregados de aromas, e enorme quantidade de ouro e pedras preciosas. Apresentou-se ao rei Salomão e expôs-lhe tudo o que tinha em seu pensamento.
3Salomão soube responder a todas as suas perguntas: para ele nada houve tão obscuro que não pudesse esclarecer. 4Quando a rainha de Sabá viu toda a sabedoria de Salomão, a casa que tinha construído, 5os manjares da sua mesa, os cortesãos sentados em ordem à mesa, as diversas classes dos que o serviam e suas vestes, os copeiros, os holocaustos que ele oferecia no templo do Senhor, ficou pasmada e disse ao rei:
6“Realmente era verdade o que eu ouvi no meu país a respeito de tuas palavras e de tua sabedoria! 7Eu não queria acreditar no que diziam, até que vim e vi com os meus próprios olhos, e reconheci que não me tinham dito nem a metade. Tua sabedoria e tua riqueza são muito maiores do que a fama que chegara aos meus ouvidos. 8Feliz a tua gente, felizes os teus servos que gozam sempre da tua presença e que ouvem a tua sabedoria! 9Bendito seja o Senhor, teu Deus, a quem agradaste, que te colocou sobre o trono de Israel, porque o Senhor amou Israel para sempre, e te constituiu rei para governares com justiça e equidade”.
10Depois, ela deu ao rei cento e vinte talentos de ouro e grande quantidade de aromas e pedras preciosas. Nunca mais foi trazida tanta quantidade de aromas como a que a rainha de Sabá deu ao rei Salomão.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus
Responsório (Sl 36)
— O justo tem nos lábios o que é sábio.
— O justo tem nos lábios o que é sábio.
— Deixa aos cuidados do Senhor o teu destino; confia nele, e com certeza ele agirá. Fará brilhar tua inocência como a luz, e o teu direito, como o sol do meio-dia.
— O justo tem nos lábios o que é sábio, sua língua tem palavras de justiça; traz a Aliança do seu Deus no coração, e seus passos não vacilam no caminho.
— A salvação dos piedosos vem de Deus; ele os protege nos momentos de aflição. O Senhor lhes dá ajuda e os liberta, defende-os e protege-os contra os ímpios, e os guarda porque nele confiaram.
Aclamação (Jo 17,17)
— Aleluia, aleluia, aleluia.
— Aleluia, aleluia, aleluia.
— Vossa palavra é a verdade; santificai-nos na verdade!
Evangelho (Mc 7,14-23)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 14Jesus chamou a multidão para perto de si e disse: “Escutai todos e compreendei: 15o que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. 16Quem tem ouvidos para ouvir ouça”.
17Quando Jesus entrou em casa, longe da multidão, os discípulos lhe perguntaram sobre essa parábola. 18Jesus lhes disse: “Será que nem vós compreendeis? Não entendeis que nada do que vem de fora e entra numa pessoa pode torná-la impura, 19porque não entra em seu coração, mas em seu estômago e vai para a fossa?” Assim Jesus declarava que todos os alimentos eram puros.
20Ele disse: “O que sai do homem, isso é que o torna impuro. 21Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, 22adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. 23Todas estas coisas más saem de dentro e são elas que tornam impuro o homem”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
— Quão amável, ó Senhor, é vossa casa! – 7/2/2012
Primeira Leitura (1Rs 8,22-23.27-30)
Leitura do Primeiro Livro dos Reis.
Naqueles dias, 22Salomão pôs-se de pé diante do altar do Senhor, na presença de toda a assembleia de Israel, estendeu as mãos para o céu e disse: 23 “Ó Senhor, Deus de Israel, não há Deus igual a ti nem no mais alto dos céus, nem aqui embaixo na terra; tu és fiel à tua misericordiosa aliança com teus servos, que andam na tua presença de todo o seu coração. 27Mas será que Deus pode realmente morar sobre a terra? Se os mais altos céus não te podem conter, muito menos esta casa que eu construí! 28Mas atende, Senhor meu Deus, à oração e à súplica do teu servo, e ouve o clamor e a prece que ele faz hoje em tua presença.
29Teus olhos estejam abertos noite e dia sobre esta casa, sobre o lugar do qual disseste: ‘Aqui estará o meu nome!’ Ouve a oração que o teu servo te faz neste lugar. 30Ouve as súplicas de teu servo e de teu povo Israel, quando aqui orarem. Escuta-os do alto da tua morada, no céu, escuta-os e perdoa!
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Responsório (Sl 83)
— Quão amável, ó Senhor, é vossa casa!
— Quão amável, ó Senhor, é vossa casa!
— Minha alma desfalece de saudades e anseia pelos átrios do Senhor! Meu coração e minha carne rejubilam e exultam de alegria no Deus vivo!
— Mesmo o pardal encontra abrigo em vossa casa, e a andorinha ali prepara o seu ninho, para nele seus filhotes colocar: vossos altares, ó Senhor Deus do universo! Vossos altares, ó meu Rei e meu Senhor!
— Felizes os que habitam vossa casa; para sempre haverão de louvar! Olhai, ó Deus, que sois a nossa proteção, vede a face do eleito, vosso Ungido!
— Na verdade, um só dia em vosso templo vale mais do que milhares fora dele! Prefiro estar no limiar de vossa casa, a hospedar-me na mansão dos pecadores!
Aclamação (Sl 118)
— Aleluia, aleluia, aleluia.
— Aleluia, aleluia, aleluia.
— Inclinai meu coração às vossas advertências, e dai-me a vossa lei como um presente valioso!
Evangelho (Mc 7,1-13)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 1os fariseus e alguns mestres da Lei vieram de Jerusalém e se reuniram em torno de Jesus. 2Eles viam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as terem lavado.
3Com efeito, os fariseus e todos os judeus só comem depois de lavar bem as mãos, seguindo a tradição recebida dos antigos. 4Ao voltar da praça, eles não comem sem tomar banho. E seguem muitos outros costumes que receberam por tradição: a maneira certa de lavar copos, jarras e vasilhas de cobre.
5Os fariseus e os mestres da Lei perguntaram então a Jesus: “Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, mas comem o pão sem lavar as mãos?” 6Jesus respondeu: “Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. 7De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos’. 8Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens”.
9E dizia-lhes: “Vós sabeis muito bem como anular o mandamento de Deus, a fim de guardar as vossas tradições. 10Com efeito, Moisés ordenou: ‘Honra teu pai e tua mãe’. E ainda: ‘Quem amaldiçoa o pai ou a mãe deve morrer’. 11Mas vós ensinais que é lícito alguém dizer a seu pai e à sua mãe: ‘O sustento que vós poderíeis receber de mim é Corban, isto é, Consagrado a Deus’. 12E essa pessoa fica dispensada de ajudar seu pai ou sua mãe. 13Assim vós esvaziais a Palavra de Deus com a tradição que vós transmitis. E vós fazeis muitas outras coisas como estas”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Primeira Leitura (1Rs 8,22-23.27-30)
Leitura do Primeiro Livro dos Reis.
Naqueles dias, 22Salomão pôs-se de pé diante do altar do Senhor, na presença de toda a assembleia de Israel, estendeu as mãos para o céu e disse: 23 “Ó Senhor, Deus de Israel, não há Deus igual a ti nem no mais alto dos céus, nem aqui embaixo na terra; tu és fiel à tua misericordiosa aliança com teus servos, que andam na tua presença de todo o seu coração. 27Mas será que Deus pode realmente morar sobre a terra? Se os mais altos céus não te podem conter, muito menos esta casa que eu construí! 28Mas atende, Senhor meu Deus, à oração e à súplica do teu servo, e ouve o clamor e a prece que ele faz hoje em tua presença.
29Teus olhos estejam abertos noite e dia sobre esta casa, sobre o lugar do qual disseste: ‘Aqui estará o meu nome!’ Ouve a oração que o teu servo te faz neste lugar. 30Ouve as súplicas de teu servo e de teu povo Israel, quando aqui orarem. Escuta-os do alto da tua morada, no céu, escuta-os e perdoa!
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Responsório (Sl 83)
— Quão amável, ó Senhor, é vossa casa!
— Quão amável, ó Senhor, é vossa casa!
— Minha alma desfalece de saudades e anseia pelos átrios do Senhor! Meu coração e minha carne rejubilam e exultam de alegria no Deus vivo!
— Mesmo o pardal encontra abrigo em vossa casa, e a andorinha ali prepara o seu ninho, para nele seus filhotes colocar: vossos altares, ó Senhor Deus do universo! Vossos altares, ó meu Rei e meu Senhor!
— Felizes os que habitam vossa casa; para sempre haverão de louvar! Olhai, ó Deus, que sois a nossa proteção, vede a face do eleito, vosso Ungido!
— Na verdade, um só dia em vosso templo vale mais do que milhares fora dele! Prefiro estar no limiar de vossa casa, a hospedar-me na mansão dos pecadores!
Aclamação (Sl 118)
— Aleluia, aleluia, aleluia.
— Aleluia, aleluia, aleluia.
— Inclinai meu coração às vossas advertências, e dai-me a vossa lei como um presente valioso!
Evangelho (Mc 7,1-13)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 1os fariseus e alguns mestres da Lei vieram de Jerusalém e se reuniram em torno de Jesus. 2Eles viam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as terem lavado.
3Com efeito, os fariseus e todos os judeus só comem depois de lavar bem as mãos, seguindo a tradição recebida dos antigos. 4Ao voltar da praça, eles não comem sem tomar banho. E seguem muitos outros costumes que receberam por tradição: a maneira certa de lavar copos, jarras e vasilhas de cobre.
5Os fariseus e os mestres da Lei perguntaram então a Jesus: “Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, mas comem o pão sem lavar as mãos?” 6Jesus respondeu: “Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. 7De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos’. 8Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens”.
9E dizia-lhes: “Vós sabeis muito bem como anular o mandamento de Deus, a fim de guardar as vossas tradições. 10Com efeito, Moisés ordenou: ‘Honra teu pai e tua mãe’. E ainda: ‘Quem amaldiçoa o pai ou a mãe deve morrer’. 11Mas vós ensinais que é lícito alguém dizer a seu pai e à sua mãe: ‘O sustento que vós poderíeis receber de mim é Corban, isto é, Consagrado a Deus’. 12E essa pessoa fica dispensada de ajudar seu pai ou sua mãe. 13Assim vós esvaziais a Palavra de Deus com a tradição que vós transmitis. E vós fazeis muitas outras coisas como estas”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
FIM DA MISSA – INÍCIO DA MISSÃO
Na liturgia celebramos por Cristo, com Cristo e em Cristo, a vida Cristo suas conquistas e dificuldades na implantação do Reino de Deus no mundo secular.
Da celebração haurimos forças para recomeçar a missão evangelizadora. A liturgia torna-se, desse modo, a fonte e o ápice de toda a vida cristã (SC 10).
A liturgia projeta a Igreja que celebra e todos os seus membros para um ideal de continuidade. Fecundada pelo encontro com o Senhor, à comunidade cristã é em sentido todo especial, templo do Espírito Santo, lugar onde Ele irrompe, estimulando os fiéis a serem testemunhas de Cristo, anunciadores do Seu EvangeIho numa missão permanente que conduzirá a humanidade à verdade plena (Jo 16,13).
MISSÃO: AUTENTICIDADE DA IGREJA
Na liturgia celebramos o Espírito que nos foi enviado. Essa abertura missionária demonstra a autenticidade da Igreja, sinal e instrumento da união dos homens com Deus em Cristo, e da unidade de todo o gênero humano (LG 1).
No Antigo Testamento, as palavras dos profetas são anúncios missionários para Israel, preanunciando a chegada do missionário por excelência, Jesus Cristo.
Jesus, por sua vez, não faz acepção de pessoas; a todos anuncia que o tempo se cumpriu e o Reino de Deus está próximo (Mc 1,15). AcoIhe a todos, crianças, adultos, pobres e ricos, judeus e pagãos, doentes e pecadores, homens e mulheres. Ele envia os discípulos a todos os povos (Mt 28,19), para anunciar a remissão dos pecados (Lc 5,32) até a consumação dos séculos.
Paulo descreve o trabalho missionário não apenas em termos de serviço (diaconia), mas também no sentido de celebração (liturgia). De fato, a vida do apóstolo se torna oferta sacrifical a Deus, a serviço da missão (Rm 15,16).
EVANGELIZAÇÃO: FUNÇÃO LITURGICA
A evangelização é também função litúrgica, sagrada. Com sua conversão a
Cristo, os neófitos se tomam oferta santificada pelo Espírito e aceita por Deus.
O missionário não só participa do Mistério Pascal como Cristo, mas traz ainda em si, sob nova forma, o mistério da redenção que irá anunciar aos irmãos (C1 1,24-25).
Na Igreja primitiva uma série de ritos faz parte da catequese e da liturgia catecumenal missionária.
O Concilio Vaticano II, em sua Constituição sobre a liturgia, faz alusão ao caráter missionário quando afirma:
• a liturgia precisa adaptar-se às culturas e à índole dos povos (sc 37-40),
• as reformas a serem viabilizadas tenham em vista as necessidades de cada região
(sc 63 e 65), as realidades de cada povo (sc 77, 107, 110), a riqueza e a peculiaridade musical (sc 120) e os costumes locais (sc 128).
A CEI (Conferência Episcopal Italiana), num documento sobre a evangelização e os sacramentos (1973), afirma: “Não se pode separar a pastoral e a vida sacramental do conjunto da missão cristã, já que a evangelização é a comunicação ao mundo do dom de Deus, que procede de Cristo e que, graças ao Espírito Santo, passa através da nossa experiência de discípulos de Cristo. Portanto a pastoral sacramental pode ser reconhecida e praticada como meio autenticamente missionário”
CRISTO AGE NAS AÇÕES LITÚRGICAS
Não podemos esquecer que Cristo, o enviado do Pai, está presente e age pelo seu Espírito em todas as ações litúrgicas, sobretudo na celebração da Eucaristia, a fim de continuar a obra salvífica universal.
A liturgia é memorial do Evento Pascal não apenas durante a celebração, mas também fora do contexto celebrativo, quando fortalece a ação missionária. A caridade celebrada na liturgia é fonte de verdadeira missão (AA 3).
A missão visa realizar no mundo e na história o desígnio salvífico de Deus. Pela transformação do pão e do vinho no Corpo e no Sangue do Senhor, a criação e a história se transformam em sacramento de salvação.
A liturgia é missionária por sua própria natureza. Essa dimensão precisa ser redescoberta e aprofundada, a fim de que não caiamos no neo-ritualismo vazio e desligado da vida e da realidade.
Há perguntas que precisam ser respondidas e oportunamente examinadas perante os desafios do mundo secular:
• Que mundo a Igreja é chamada a evangelizar?
• Com que linguagem?
• Que liturgia se exige para que a Igreja seja evangelizadora?
PARA REFLETIR
1. Por que o término da missa significa o inicio de uma nova missão?
2. Por que, por sua própria natureza, a liturgia é missionária?
3. Como a sua comunidade/grupo integra a dimensão missionária na liturgia?
Na liturgia celebramos por Cristo, com Cristo e em Cristo, a vida Cristo suas conquistas e dificuldades na implantação do Reino de Deus no mundo secular.
Da celebração haurimos forças para recomeçar a missão evangelizadora. A liturgia torna-se, desse modo, a fonte e o ápice de toda a vida cristã (SC 10).
A liturgia projeta a Igreja que celebra e todos os seus membros para um ideal de continuidade. Fecundada pelo encontro com o Senhor, à comunidade cristã é em sentido todo especial, templo do Espírito Santo, lugar onde Ele irrompe, estimulando os fiéis a serem testemunhas de Cristo, anunciadores do Seu EvangeIho numa missão permanente que conduzirá a humanidade à verdade plena (Jo 16,13).
MISSÃO: AUTENTICIDADE DA IGREJA
Na liturgia celebramos o Espírito que nos foi enviado. Essa abertura missionária demonstra a autenticidade da Igreja, sinal e instrumento da união dos homens com Deus em Cristo, e da unidade de todo o gênero humano (LG 1).
No Antigo Testamento, as palavras dos profetas são anúncios missionários para Israel, preanunciando a chegada do missionário por excelência, Jesus Cristo.
Jesus, por sua vez, não faz acepção de pessoas; a todos anuncia que o tempo se cumpriu e o Reino de Deus está próximo (Mc 1,15). AcoIhe a todos, crianças, adultos, pobres e ricos, judeus e pagãos, doentes e pecadores, homens e mulheres. Ele envia os discípulos a todos os povos (Mt 28,19), para anunciar a remissão dos pecados (Lc 5,32) até a consumação dos séculos.
Paulo descreve o trabalho missionário não apenas em termos de serviço (diaconia), mas também no sentido de celebração (liturgia). De fato, a vida do apóstolo se torna oferta sacrifical a Deus, a serviço da missão (Rm 15,16).
EVANGELIZAÇÃO: FUNÇÃO LITURGICA
A evangelização é também função litúrgica, sagrada. Com sua conversão a
Cristo, os neófitos se tomam oferta santificada pelo Espírito e aceita por Deus.
O missionário não só participa do Mistério Pascal como Cristo, mas traz ainda em si, sob nova forma, o mistério da redenção que irá anunciar aos irmãos (C1 1,24-25).
Na Igreja primitiva uma série de ritos faz parte da catequese e da liturgia catecumenal missionária.
O Concilio Vaticano II, em sua Constituição sobre a liturgia, faz alusão ao caráter missionário quando afirma:
• a liturgia precisa adaptar-se às culturas e à índole dos povos (sc 37-40),
• as reformas a serem viabilizadas tenham em vista as necessidades de cada região
(sc 63 e 65), as realidades de cada povo (sc 77, 107, 110), a riqueza e a peculiaridade musical (sc 120) e os costumes locais (sc 128).
A CEI (Conferência Episcopal Italiana), num documento sobre a evangelização e os sacramentos (1973), afirma: “Não se pode separar a pastoral e a vida sacramental do conjunto da missão cristã, já que a evangelização é a comunicação ao mundo do dom de Deus, que procede de Cristo e que, graças ao Espírito Santo, passa através da nossa experiência de discípulos de Cristo. Portanto a pastoral sacramental pode ser reconhecida e praticada como meio autenticamente missionário”
CRISTO AGE NAS AÇÕES LITÚRGICAS
Não podemos esquecer que Cristo, o enviado do Pai, está presente e age pelo seu Espírito em todas as ações litúrgicas, sobretudo na celebração da Eucaristia, a fim de continuar a obra salvífica universal.
A liturgia é memorial do Evento Pascal não apenas durante a celebração, mas também fora do contexto celebrativo, quando fortalece a ação missionária. A caridade celebrada na liturgia é fonte de verdadeira missão (AA 3).
A missão visa realizar no mundo e na história o desígnio salvífico de Deus. Pela transformação do pão e do vinho no Corpo e no Sangue do Senhor, a criação e a história se transformam em sacramento de salvação.
A liturgia é missionária por sua própria natureza. Essa dimensão precisa ser redescoberta e aprofundada, a fim de que não caiamos no neo-ritualismo vazio e desligado da vida e da realidade.
Há perguntas que precisam ser respondidas e oportunamente examinadas perante os desafios do mundo secular:
• Que mundo a Igreja é chamada a evangelizar?
• Com que linguagem?
• Que liturgia se exige para que a Igreja seja evangelizadora?
PARA REFLETIR
1. Por que o término da missa significa o inicio de uma nova missão?
2. Por que, por sua própria natureza, a liturgia é missionária?
3. Como a sua comunidade/grupo integra a dimensão missionária na liturgia?
1. Vá para o local da pregação bem preparado.
2. Comece com calma
3. Prossiga de modo modesto.
4. Não se desfaça em gritos.
5. Não trema.
6. Vale com clareza, sem declamar.
7. Não levante demais a voz.
8. Empregue frases curtas e bem claras.
9. Evite a monotonia.
10. Seja sempre senhor da situação.
11. Não empregue sarcasmo nem outras expressões maliciosas.
12. Não ataque hostilmente.
13. Ande com a devida dignidade.
14. Não provoque risadas, tornando-se palhaço.
15. Não se elogie a si mesmo.
16. Não ilustre com narrações longas.
17. Não canse os ouvintes com discursos extensos.
18. Não se afaste do texto e do tema.
19. Procure suscitar o interesse.
20. Fale com autoridade, mas não em tom de mando.
21. Fixe o olhar nos ouvintes.
22. Não crave os olhos nem no chão nem no teto.
23. Não fixe o olhar em algum ouvinte particular.
24. Adapte os gestos às palavras.
25. Não seja teso e rígido com uma estátua.
26. Não faça gestos ridículos.
27. Não ande sobre a plataforma com passos gigantescos nem de gatinhas.
28. Não ponha as mãos nos lados nem nos bolsos da calça.
29. Não brinque com algum botão do paletó.
30. Não comece cada frase tossindo.
31. Evite o vestuário elegante, porém use colarinho limpo, roupa limpa.
32. Não diga repetidas vezes: “Logo vou terminar,” mas diga o que tiver a dizer e o assunto estará concluído
APOLOGÉTICA
Qual dia da semana devemos guardar: o Sábado ou o Domingo?
I – O SÁBADO NO ANTIGO TESTAMENTO:
1. “Sábado” provém do hebraico “Shabath”, que significa “repouso, cessão”. O vocábulo “Shabath” também pode ser relacionado com o vocábulo “Sheba’”, que significa “sete”. Assim, o sábado bíblico nada mais é que um dia de descanso observado a cada sete dias.
2. Na Bíblia, o sábado se prende ao ritmo sagrado da semana, que se encerra com um dia de repouso e de culto a Deus (cf. Os 2,13; 2Rs 4,23; Is 1,13; Ex 20,8; 23,12; 34,21).
3. O sábado deveria ser observado por diversas razões: por questões humanitárias (cf. Ex 23,12; Dt 5,12-14), por ser sinal de distinção com relação aos outros povos (cf. Ez 20,12.30; Ex 31,13-17), por ser um dia que não poderia ser profanado pelo trabalho (Ez 22,8) e por ser legislação sacerdotal, já que Deus teria descansado no 7º dia (cf. Gn 1,1-2.4a; Ex 30,8-11; 31,17).
4. O sábado era um dia festivo (cf. Os 2,13; Is 1,13), no qual não podia haver compras, vendas ou trabalhos no campo (cf. Am 8,5; Ex 34,21). Era também proibido acender fogo (Ex 35,3), recolher lenha (Nm 15,32) e preparar alimentos (Ex 16,23). Até mesmo a guarda do palácio era reduzida (2Rs 11,5-9)… Os fiéis iam ao santuário (Is 1,12s), após uma convocação santa (Lv 23,3), ofereciam sacrifícios (Nm 28,9-10) e renovavam o pão da proposição (Lv 24,8; 1Cr 9,32) ou simplesmente aguardavam a visita de um profeta (2Rs 4,23). Após o exílio babilônico, a observância do sábado foi radicalizado: Neemias agiu com energia para garanti-lo (Ne 13,15-22), as viagens foram proibidas (Is 58,13) assim como o transporte de cargas (Jr 17,19-27). Na época macabéia, a observância era tão cega que muitos se deixaram matar sem oferecer resistência (1Mc 2,37-38; 2Mc 6,11-12; 15,1-2). Finalmente, na época de Jesus, os fariseus elaboraram verdadeira “casuística” quanto ao sábado: 39 tipos de trabalho eram proibidos (entre eles colher espigas [Mt 12,2], carregar fardos [Jo 5,10], etc). Os médicos somente podiam atender os doentes em perigo iminente de morte (motivo pelo qual se opuseram a Jesus, que curava aos sábados – cf. Mt 12,9-13; Mc 3,1-5; Lc 6,6-10; 13,10-17; 14,1-6; Jo 5,1-16; 9,14-16)… os essênios chegaram ao absurdo de proibirem a defecação no sábado!!!
II – NOVO TESTAMENTO: O DIA DO SENHOR
1. Enquanto Jesus viveu entre nós, observou a Lei e frequentou as Sinagogas onde aproveitou para pregar o Evangelho.
2. Jesus sempre repreendeu o rigorismo dos fariseus, já que estes, muitas vezes, tornavam-se hipócritas. Desta forma, Jesus colocou a caridade acima da observância do sábado (Mt 12,10-14; Lc 13,10-17; 14,1-6; Jo 5,8-18), usando o conhecidíssimo bordão: “O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado” (Mc 2,27). Com estas palavras, o Senhor quis afirmar que o sábado era um meio para o homem alcançar a união com Deus e não um fim em si mesmo. Por isso, declarou que era o Senhor do Sábado (Mc 2,28) e foi incriminado pelos doutores da Lei (Jo 5,9), ao que respondeu que nada mais fazia senão imitar o Pai que, mesmo entrando em repouso após ter criado o mundo, continuou a governá-lo e também os homens (Jo 5,17).
3. Se, no princípio, os discípulos observaram o sábado para pregar o evangelho nas sinagogas (At 13,14; 16,13; 17,2; 18,4) logo se deram conta que a Nova Lei havia superado a Antiga. São Paulo sempre lutou contra a infiltração de idéias judaizantes, sobretudo quando escreve “que ninguém vos critique por questões de alimentos ou bebidas ou de festas, luas novas e sábados. Tudo isto não é mais do que a sombra do que devia vir. A realidade é Cristo. (Cl 2,16-17; v.tb. 2Cor 5,17). Os cristãos, então, passaram a realizar seus cultos no dia seguinte ao sábado, isto é, no domingo, dia em que o Senhor Jesus ressuscitou (alias “domingo” vem de “domini dies”, isto é, “Dia do Senhor”). Diversas são as provas bíblicas da observância do domingo: Jo 20,22-23.26; At 2,2; At 20,7-16; 1Cor 16,1-2; Ap 1,10. Repare-se bem que esse era o dia em que os cristãos se reuniam! Dessa forma, a perspectiva cristã sempre enxergou o antigo sábado dos judeus como uma figura, da mesma forma que outras instituições do AT.
4. “Pelo repouso do sábado os israelitas comemoravam o repouso (figurado) de Deus após haver criado o mundo e o homem. Ora, com a ressurreição de Cristo, a primeira criação tornou-se prenúncio e figura da segunda criação ou da nova criação do gênero humano que se deu quando Cristo venceu a morte e apareceu como novo Adão. Era justo, portanto, ou mesmo necessário, que os cristãos passassem a observar, como Dia do Senhor ou como sétimo dia e dia de repouso (sábado), o dia da ressurreição de Cristo” (d. Estevão Bettencourt, “Diálogo Ecumênico, p.250). A própria carta aos Hebreus acentua a índole figurativa do sábado, afirmando que o repouso do sétimo dia era apenas uma imagem do verd
5. adeiro repouso que fluiremos na presença de Deus (cf. Hb 4,3-11).
III – A TRADIÇÃO CRISTÃ
Fora da Bíblia, inúmeros são os testemunhos que comprovam a santificação do domingo pelos primeiros cristãos: Didaqué [~96 dC] (Did. 14,1), Plínio [séc.II dC] (governador da Bitínia – Ad Traj. X,96,7), Sto. Inácio de Antioquia [~100 dC] (Magn. 9,1), S. Justino Mártir [153 dC] (1Apol. 67,3,7), Constituições Apostólicas [séc. III]…
Logo, ao contrário do que costumeiramente se afirma, o domingo não foi instituído no séc IV, mas é observado – como bem documenta a Palavra de Deus e a Sagrada Tradição – desde o período apostólico.
IV – CONCLUSÃO
1. Como vimos, a palavra “shabath” significa “repouso” e “sete”. Ora, os cristãos em geral – com exceção dos adventistas e batistas do sétimo dia – observam o repouso do domingo a cada sete dias, de forma que não estão em contradição com o 3º Mandamento.
2. A Nova Aliança ultrapassou a Antiga. A própria Bíblia documenta a celebração do culto cristão no domingo, como vimos. A Tradição dos dois primeiros séculos também testemunham a observância do domingo entre os cristãos e não mais o sábado. Observemos que o NT faz mais 100 referências positivas ao Decálogo, nenhuma porém quanto à observância restrita do sábado.
3. Se existem cristãos que – em franca contradição com a maioria absoluta – ainda observam o sábado, isso diz respeito ao espírito judaizante que invocam, espírito esse condenado pelo Apóstolo: “Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo” (2Cor 5,17; v.tb., quanto ao sábado, Cl 2,16-17). Devemos, assim, compreender que o sábado, como dia santificado, foi um sinal entre Deus e Israel, ou seja, uma obrigação restrita aos judeus.
4. Finalmente: Cristo se auto-declarou como “Senhor do Sábado” (tendo, portanto, poder sobre ele); Jesus ressuscitou num domingo; o Espírito Santo veio sobre a Igreja num domingo; os apóstolos se reuniam aos domingos; os cristãos antes do Período Constantiniano (séc. IV) se reuniam aos domingos; os cristão pós-Constantinianos também se reuniam aos domingos; todos os cristãos atuais (católicos, ortodoxos e protestantes – com exceção dos adventistas e batistas do 7º dia) ainda observam o domingo… Como duvidar que o domingo não foi instituído divinamente? Temos todos os testemunhos que precisávamos: Bíblia, Tradição e Magistério; temos a palavra final: Domingo é o Dia do Senhor!
5. Faço minhas as palavras do pe. Arthur Betti: “Vale mais um domingo [dia em que Cristo ressuscitou] do que todos os sábados sem ressurreição, sem a verdadeira libertação”! (”O que o Povo Pergunta?”, p.169). A vitória de Cristo é a nossa vitória!
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“Reúnam-se no dia do Senhor [= dominica dies = domingo] para partir o pão e agradecer, depois de ter confessado os pecados, para que o sacrifício de vocês seja puro” (Didaqué 14,1 – primeiro catecismo cristão, escrito no séc. I, mais precisamente no ano 96 dC).
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APOLOGÉTICA
I – O SÁBADO NO ANTIGO TESTAMENTO:
1. “Sábado” provém do hebraico “Shabath”, que significa “repouso, cessão”. O vocábulo “Shabath” também pode ser relacionado com o vocábulo “Sheba’”, que significa “sete”. Assim, o sábado bíblico nada mais é que um dia de descanso observado a cada sete dias.
2. Na Bíblia, o sábado se prende ao ritmo sagrado da semana, que se encerra com um dia de repouso e de culto a Deus (cf. Os 2,13; 2Rs 4,23; Is 1,13; Ex 20,8; 23,12; 34,21).
3. O sábado deveria ser observado por diversas razões: por questões humanitárias (cf. Ex 23,12; Dt 5,12-14), por ser sinal de distinção com relação aos outros povos (cf. Ez 20,12.30; Ex 31,13-17), por ser um dia que não poderia ser profanado pelo trabalho (Ez 22,8) e por ser legislação sacerdotal, já que Deus teria descansado no 7º dia (cf. Gn 1,1-2.4a; Ex 30,8-11; 31,17).
4. O sábado era um dia festivo (cf. Os 2,13; Is 1,13), no qual não podia haver compras, vendas ou trabalhos no campo (cf. Am 8,5; Ex 34,21). Era também proibido acender fogo (Ex 35,3), recolher lenha (Nm 15,32) e preparar alimentos (Ex 16,23). Até mesmo a guarda do palácio era reduzida (2Rs 11,5-9)… Os fiéis iam ao santuário (Is 1,12s), após uma convocação santa (Lv 23,3), ofereciam sacrifícios (Nm 28,9-10) e renovavam o pão da proposição (Lv 24,8; 1Cr 9,32) ou simplesmente aguardavam a visita de um profeta (2Rs 4,23). Após o exílio babilônico, a observância do sábado foi radicalizado: Neemias agiu com energia para garanti-lo (Ne 13,15-22), as viagens foram proibidas (Is 58,13) assim como o transporte de cargas (Jr 17,19-27). Na época macabéia, a observância era tão cega que muitos se deixaram matar sem oferecer resistência (1Mc 2,37-38; 2Mc 6,11-12; 15,1-2). Finalmente, na época de Jesus, os fariseus elaboraram verdadeira “casuística” quanto ao sábado: 39 tipos de trabalho eram proibidos (entre eles colher espigas [Mt 12,2], carregar fardos [Jo 5,10], etc). Os médicos somente podiam atender os doentes em perigo iminente de morte (motivo pelo qual se opuseram a Jesus, que curava aos sábados – cf. Mt 12,9-13; Mc 3,1-5; Lc 6,6-10; 13,10-17; 14,1-6; Jo 5,1-16; 9,14-16)… os essênios chegaram ao absurdo de proibirem a defecação no sábado!!!
II – NOVO TESTAMENTO: O DIA DO SENHOR
1. Enquanto Jesus viveu entre nós, observou a Lei e frequentou as Sinagogas onde aproveitou para pregar o Evangelho.
2. Jesus sempre repreendeu o rigorismo dos fariseus, já que estes, muitas vezes, tornavam-se hipócritas. Desta forma, Jesus colocou a caridade acima da observância do sábado (Mt 12,10-14; Lc 13,10-17; 14,1-6; Jo 5,8-18), usando o conhecidíssimo bordão: “O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado” (Mc 2,27). Com estas palavras, o Senhor quis afirmar que o sábado era um meio para o homem alcançar a união com Deus e não um fim em si mesmo. Por isso, declarou que era o Senhor do Sábado (Mc 2,28) e foi incriminado pelos doutores da Lei (Jo 5,9), ao que respondeu que nada mais fazia senão imitar o Pai que, mesmo entrando em repouso após ter criado o mundo, continuou a governá-lo e também os homens (Jo 5,17).
3. Se, no princípio, os discípulos observaram o sábado para pregar o evangelho nas sinagogas (At 13,14; 16,13; 17,2; 18,4) logo se deram conta que a Nova Lei havia superado a Antiga. São Paulo sempre lutou contra a infiltração de idéias judaizantes, sobretudo quando escreve “que ninguém vos critique por questões de alimentos ou bebidas ou de festas, luas novas e sábados. Tudo isto não é mais do que a sombra do que devia vir. A realidade é Cristo. (Cl 2,16-17; v.tb. 2Cor 5,17). Os cristãos, então, passaram a realizar seus cultos no dia seguinte ao sábado, isto é, no domingo, dia em que o Senhor Jesus ressuscitou (alias “domingo” vem de “domini dies”, isto é, “Dia do Senhor”). Diversas são as provas bíblicas da observância do domingo: Jo 20,22-23.26; At 2,2; At 20,7-16; 1Cor 16,1-2; Ap 1,10. Repare-se bem que esse era o dia em que os cristãos se reuniam! Dessa forma, a perspectiva cristã sempre enxergou o antigo sábado dos judeus como uma figura, da mesma forma que outras instituições do AT.
4. “Pelo repouso do sábado os israelitas comemoravam o repouso (figurado) de Deus após haver criado o mundo e o homem. Ora, com a ressurreição de Cristo, a primeira criação tornou-se prenúncio e figura da segunda criação ou da nova criação do gênero humano que se deu quando Cristo venceu a morte e apareceu como novo Adão. Era justo, portanto, ou mesmo necessário, que os cristãos passassem a observar, como Dia do Senhor ou como sétimo dia e dia de repouso (sábado), o dia da ressurreição de Cristo” (d. Estevão Bettencourt, “Diálogo Ecumênico, p.250). A própria carta aos Hebreus acentua a índole figurativa do sábado, afirmando que o repouso do sétimo dia era apenas uma imagem do verd
5. adeiro repouso que fluiremos na presença de Deus (cf. Hb 4,3-11).
III – A TRADIÇÃO CRISTÃ
Fora da Bíblia, inúmeros são os testemunhos que comprovam a santificação do domingo pelos primeiros cristãos: Didaqué [~96 dC] (Did. 14,1), Plínio [séc.II dC] (governador da Bitínia – Ad Traj. X,96,7), Sto. Inácio de Antioquia [~100 dC] (Magn. 9,1), S. Justino Mártir [153 dC] (1Apol. 67,3,7), Constituições Apostólicas [séc. III]…
Logo, ao contrário do que costumeiramente se afirma, o domingo não foi instituído no séc IV, mas é observado – como bem documenta a Palavra de Deus e a Sagrada Tradição – desde o período apostólico.
IV – CONCLUSÃO
1. Como vimos, a palavra “shabath” significa “repouso” e “sete”. Ora, os cristãos em geral – com exceção dos adventistas e batistas do sétimo dia – observam o repouso do domingo a cada sete dias, de forma que não estão em contradição com o 3º Mandamento.
2. A Nova Aliança ultrapassou a Antiga. A própria Bíblia documenta a celebração do culto cristão no domingo, como vimos. A Tradição dos dois primeiros séculos também testemunham a observância do domingo entre os cristãos e não mais o sábado. Observemos que o NT faz mais 100 referências positivas ao Decálogo, nenhuma porém quanto à observância restrita do sábado.
3. Se existem cristãos que – em franca contradição com a maioria absoluta – ainda observam o sábado, isso diz respeito ao espírito judaizante que invocam, espírito esse condenado pelo Apóstolo: “Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo” (2Cor 5,17; v.tb., quanto ao sábado, Cl 2,16-17). Devemos, assim, compreender que o sábado, como dia santificado, foi um sinal entre Deus e Israel, ou seja, uma obrigação restrita aos judeus.
4. Finalmente: Cristo se auto-declarou como “Senhor do Sábado” (tendo, portanto, poder sobre ele); Jesus ressuscitou num domingo; o Espírito Santo veio sobre a Igreja num domingo; os apóstolos se reuniam aos domingos; os cristãos antes do Período Constantiniano (séc. IV) se reuniam aos domingos; os cristão pós-Constantinianos também se reuniam aos domingos; todos os cristãos atuais (católicos, ortodoxos e protestantes – com exceção dos adventistas e batistas do 7º dia) ainda observam o domingo… Como duvidar que o domingo não foi instituído divinamente? Temos todos os testemunhos que precisávamos: Bíblia, Tradição e Magistério; temos a palavra final: Domingo é o Dia do Senhor!
5. Faço minhas as palavras do pe. Arthur Betti: “Vale mais um domingo [dia em que Cristo ressuscitou] do que todos os sábados sem ressurreição, sem a verdadeira libertação”! (”O que o Povo Pergunta?”, p.169). A vitória de Cristo é a nossa vitória!
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“Reúnam-se no dia do Senhor [= dominica dies = domingo] para partir o pão e agradecer, depois de ter confessado os pecados, para que o sacrifício de vocês seja puro” (Didaqué 14,1 – primeiro catecismo cristão, escrito no séc. I, mais precisamente no ano 96 dC).
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7 – OBEDIÊNCIA
(Pe. Raniero Catalamessa – Pregador do Papa)
São Pedro em sua 1ª carta põe uma ligação muito estreita entre santidade e obediência. Ele afirma que os cristãos são aqueles que forma “eleitos segundo a presciência de Deus Pai, pela santificação do Espírito, PARA OBEDECER A JESUS CRISTO” (I Ped 1,2). Depois acrescenta: “Como filhos, obedientes, não consintais em modelar a vossa vida de acordo com as paixões de outrora, do tempo de vossa ignorância.” Antes, como é Santo Aquele que vos chamou, tornai-vos também santos em todo o vosso comportamento, porque está escrito: “SÊDE SANTOS PORQUE EU SOU SANTO” (1,14-15). “Pela obediência à verdade, purificastes as vossas almas para praticardes um amor fraternal sem hipocrisia. Amai-vos, pois, uns aos outros ardorosamente, e com um coração puro” (1,22).
Então, os cristãos são santificados pela obediência.
Obediência à Palavra de Deus, pois ela não nos santifica automaticamente, mas somente enquanto nos submetemos a ela e lhe obedecemos.
7.1 – A OBEDIÊNCIA DE CRISTO – O FUNDAMENTO DA NOSSA OBEDIÊNCIA
Que é OBEDIÊNCIA? – Bata ver em que idéia de obediência se baseia a definição que a Escritura faz de Jesus como “o OBEDIENTE por excelência”. O verdadeiro fundamento da obediência cristã não é um princípio abstrato como o de Aristóteles; “Os inferiores devem obedecer aos superiores”. Não é uma idéia de obediência que está na base da obediência cristã, e sim uma ATO de obediência, que se expressa com estas palavras: “Cristo se fez por nós obediente até a morte e morte de cruz”(Fil 2). “Aprendeu a obediência por meio do sofrimento, tornando-se CAUSA da salvação de todos aqueles que Lhe obedecem”. Nós todos fomos santificados por aquele ato de obediência de Cristo. Em que consistiu aquele ato de Jesus? – Certamente Jesus – menino obedecia a seus pais. Adulto, obedecia às Leis e Instituições; submeteu-se a Pilatos, ao Sinédrio. Não é este o tipo de obediência a que São Pedro se refere, mas sim à obediência de Jesus ao Pai.
De fato a obediência de Jesus é antítese perfeita da desobediência de Adão. A quem Adão desobedeceu, para ser o desobediente por excelência? Aos Pais? não . Às leis? Não existia ainda, Adão desobedeceu a Deus.
A obediência envolve toda a vida de Jesus, desde que começou a existir no seio da Virgem Maria, quando disse: “Eis que venho, ó Deus, para fazer a Tua vontade” – até o último suspiro na cruz. A obediência é a tessitura conectiva da vida de Jesus.
“ Cristo, embora fosse Filho, aprendeu a obediência pelo sofrimento; e levado à perfeição, se tornou para todos os que Lhe obedecem ao princípio da salvação eterna” (Heb 5,8-9).
A obediência de Jesus não consistiu somente na sua morte. Jesus obedeceu durante toda a sua vida, a ponto de poder dizer: “Meu alimento consiste em fazer a Vontade do Pai.” Jesus obedece à PALAVRA DE DEUS escrita nos salmos, nos profetas, Palavra que foi escrita para Ele. Toda a vida de Jesus é como guiada por uma esteira luminosa, constituída pelas palavras que o Pai colocou na Escritura par que Ele, o Messias, as cumprisse.
Assim é quando Jesus luta contra satanás. Qual é a sua arma? “Está escrito.” E assim satanás é vencido, fulminado. Quando os soldados vão prender Jesus, os Apóstolos tentam impedir.
Mas Jesus diz: “Como se cumprirão as Escrituras, segundo as quais é preciso que seja assim?” Jesus se deixa prender para obedecer ao Pai, que através das Escrituras Lhe manifestara Sua vontade
A grandeza extraordinária da obediência de Jesus se mede concretamente pelas coisas que Ele sofreu, que foram, como sabemos, tremendas! A obediência de Jesus, do ponto de vista existencial, pessoal se mede pela atitude com que ele obedece. Jesus obedece com o espírito de FILHO, em plena liberdade, com amor absoluto. Jesus morreu na cruz dizendo: “Pai, em Tuas mãos entrego o meu espírito”. JESUS NA CRUZ ABANDONOU AO DEUS QUE O ABANDONAVA, e esta é a Rocha da nossa salvação. Abandonar-se a Deus, enquanto Deus parece que está nos abandonando! Este é o último grau da obediência.
7.2 – OBEDIÊNCIA COMO GRAÇA – O BATISMO
No quinto capítulo da Carta aos Romanos, São Paulo apresenta Cristo como o chefe dos obedientes. No sexto capítulo – nós cristãos entramos na esfera da obediência de Cristo, e assim somos salvos. Isto acontece por meio do Batismo. Se você se torna escravo de alguém, deve obedecer-lhe.
No Batismo aconteceu uma real mudança de domínio; você passou da parte dos filhos de Adão para o lado dos filhos da obediência: irmão de Jesus. A obediência na vida cristã não é algo acessório, mas fundamental. Não há senhorio de Jesus, se da nossa parte não há a vontade de obedecer. É verdade que Deus Pai constituiu JESUS SENHOR, mas nós somos aqueles sobre quem Ele é o Senhor! Por isso não temos somente o dever, mas também a graça de obedecer ao Senhor.
A obediência cristã tem suas raízes no Batismo. No início do cristianismo todos os cristãos faziam voto de obediência. O Concílio Vaticano II fala do chamado universal à santidade. Mas como não é possível a santidade sem obediência, concluímos que existe, sim, um chamado de Deus à obediência como algo acessível e praticável.
7.3 – A OBEDIÊNCIA COMO DEVER – A IMITAÇÃO DE CRISTO
Pesquisando no Novo Testamento, em que consiste este DEVER DE OBEDECER, fazermos uma descoberta surpreendente: Aí se fala de todos os tipos de obediência: a dos filhos aos pais, às leis, às instituições humanas. Mas a obediência de um homem a outro homem é secundária. São Paulo fala de obediência à fé, ao ensino (que é a Palavra de Deus), ao Evangelho, à Verdade, ao Cristo. São Pedro fala de uma obediência à Verdade. Pergunto: É possível falar de obediência a Deus, à Palavra de Deus HOJE, em que temos 2.000 anos de distância na vida da Igreja? HOJE, que a vontade de Deus já está toda escrita, codificada em leis, cânones e tradições. É possível ainda hoje para um cristão que vem ao mundo 2.000 anos depois da vinda de Cristo, experimentar algo da obediência de Cristo ao Pai?
O Espírito Santo guia e dirige, isto é, GOVERNA a Igreja com dois tipos de dons: hierárquicos e carismáticos. O Espírito Santo santifica a Igreja não só através dos Sacramentos e dos Ministérios (sacerdócio, hierarquia), mas também através dos dons carismáticos, pelos quais torna o povo de Deus apto para assumir tarefas e ofícios que servem para edificação da Igreja.
A obediência a Deus ou ao Espírito Santo volta a ser não apenas possível, mas indispensável no momento em que essa dimensão pneumática e hierárquica estão juntas e não contrapostas. Assim como não podemos separar a alma do corpo sem que existisse uma morte, assim também não podemos dividir a Igreja institucional e a Igreja mistério.
Mas como a Igreja do Espírito Santo e a Igreja hierárquica não podem ser separadas, assim também não se pode separar a obediência a Deus da obediência aos homens, à hierarquia, às leis, etc. Então, a obediência à autoridade, à hierarquia, às leis, se torna critério, para ver se um cristão é
verdadeiramente obediente ou se ele apenas crê que obedece.
Perguntamos: COMO SE FAZER PARA OBEDECER AO ESPÍRITO SANTO?
- Vejamos: Tu escutas uma Palavra de Deus durante o Grupo de Oração, no sermão da Missa, ou privadamente no teu quarto, e te sentes interpelado por esta palavra. Sabes: “Esta palavra é uma ordem de Deus para mim agora.” É um movimento do Espírito Santo, que chamamos de “inspiração”. É tão suave, que facilmente o podemos sufocar. Sentes que o Senhor quer de ti algo definido, uma tarefa concreta, porém essa clareza desaparece logo. Sentes que não podes cumpri-la apenas com recursos da tua inteligência, porque a inspiração não veio da tua inteligência, mas de Deus, e por isso é só pelo Espírito Santo que podes abordá-la.
Que fazer então? – Procura teu confessor, teu diretor espiritual, teu superior, a autoridade visível da Igreja, submete a ela teu chamado e confia na Igreja, porque é ela que te dará a certeza de estar obedecendo a Deus.
7.3.1 – TESTEMUNHO PESSOAL
Estou falando de modo abstrato, de uma experiência que é minha, pessoal e concreta.
Poucos meses depois de haver recebido o Batismo no Espírito Santo, voltei dos Estados Unidos para a Itália, onde era Professor na Universidade de Milão. Num momento de oração no meu quarto, aconteceu um fato que mudou minha vida. Naquela oração percebi, sem nada de milagroso, uma voz que ressoava dentro de mim, Era a voz de JESUS, e disso tenho plena certeza. Era Jesus, que saía de Nazaré e começava a pregar pela 1ª vez o Reino de Deus, que estava iminente; era o momento da esperança. Jesus me disse no coração, com toda simplicidade, como o faz também como todos vocês. Ele disse: “Raniero, se queres vir ajudar-me a pregar o Reino de Deus, deixa a Universidade, deixa tua cátedra e vem”.
Tive receio de que Jesus passasse sem que eu estivesse pronto para dar o meu SIM. Mas pela graça de Deus, no mesmo instante eu disse aquele SIM. A Universidade, meus títulos e cargos universitários, a cátedra, o Departamento de Ciências Religiosas, tudo caiu do meu coração e só ficou o SIM que eu disse a Jesus.
Depois de alguns dias, me apresentei ao meu Superior Geral em Roma e lhe disse: “Creio que o Senhor quer de mim uma mudança de vida; que deixe tudo para pregar o Reino de Deus.” O Superior me disse: “Espera um ano, vamos rezar e depois veremos.” Então durante o ano aquela luz toda se apagou e eu me perguntava: “Deixo tudo, mudo minhas atividades, mas o que vou fazer, então?” Não via nada. Só sabia que um dia tinha recebido uma ordem de Deus e tinha dito SIM, mais nada.
Tanto que no fim daquele ano vim a Roma novamente e fui falar com meu Superior, perguntando: “Passou um ano; que vou fazer agora?” Após termos rezado juntos, ele me disse: “Sim, é a vontade de Deus. Os outros vão dizer que tu estás louco, mas 10 anos depois vão reconhecer que foi Deus que te chamou.”
Meus irmãos foi a obediência à Igreja que salvou minha obediência a Deus, e enquanto viver vou abençoar aquele Superior. Se sou pregador da Palavra de Deus é porque um dia o Senhor me chamou
Três meses depois daquela conversa, fui nomeado pregador da Casa Pontifícia, no Vaticano.
A obediência a Deus é algo que podemos fazer sempre, sempre. Quando Deus “descobre” uma pessoa disposta a obedecer, Ele manda, manda, sempre mais, na vida daquela pessoa, em todos os aspectos: pessoal familiar, etc., pois sabe que quanto mais Sua vontade entra no sangue e na vida de alguém, sem a pessoa se dar conta, torna-se mais santa.
7.3.2 – O SEGREDO
Sim, há um “segredo prático” para caminharmos nessa direção. OBEDECER A DEUS É APRESENTAR QUESTÕES A DEUS.
Em Êxodo 18, o genro de Moisés, Jetro, deu-lhe este conselho. Antes de tomar nossas decisões, OREMOS A DEUS. Se você acha que não obteve resposta, não faz mal: você quis submeter sua decisão a Deus. Vá em frente.
Todos podemos obedecer, porque temos Jesus Cristo e Sua Palavra para submetermos a ela todos os aspectos de nossa vida. Conheço um cristão convertido, a quem o Senhor deu uma única regra de vida: obedeça à Palavra!”
Hoje no mundo há um choque entre duas forças: o reino dos rebeldes e o reino dos obedientes de Cristo. No choque entre estes dois reinos, a vitória está na obediência. Somente os que obedecem a Cristo salvar-se-ão da confusão e da rebelião. Nossa palavra de ordem será a obediência a Deus e nada mais
7.4 – OBEDIÊNCIA E AUTORIDADE NA RCC
Todos devem obedecer a Deus e à Palavra de Deus, também os líderes e superiores, pois a santidade está na obediência.
A verdadeira fonte da autoridade está na obediência a Deus, isto é, na união da vontade do superior, do sacerdote, do bispo, do Papa, com a vontade de Deus.
Um dia apresentou-se a Jesus um oficial romano e no correr do encontro ele disse que assim como seus subalternos lhe obedeciam porque ele era portador de autoridade para eles, assim Jesus era portador da autoridade do Pai. O centurião tinha compreendido que a força, a autoridade extraordinária de Jesus vinha de sua obediência ao Pai. Jesus mesmo havia declarado: “Eu faço sempre o que agrada ao Pai.”
Esta autoridade na RCC, da Igreja, não pode ser baseada somente NO CARGO que a pessoa exerce, porque A FONTE DA AUTORIDADE DE ALGUÉM É A SUA PRÓPRIA OBEDIÊNCIA E SUBMISSÃO A DEUS.
Um líder não deve dar muitas ordens SUAS; ele deve sempre basear-se no fato de que ele mesmo está obedecendo e fazendo a vontade de Deus. Quem comanda, deve basear-se o mínimo possível no seu CARGO, e o máximo possível na SUA PRÓPRIA SUBMISSÃO a Deus. Mas quem obedece, deve basear-se o menos possível NA PESSOA DO SUPERIOR E MAIS NO CARGO DELE. O súdito não tem o direito de perguntar a si mesmo se o superior está obedecendo a Deus, porque isso seria o FIM da obediência. O súdito deve ter em mente que aquele homem preenche um cargo, e deve simplesmente obedecer-lhe.
Claro que se pode dialogar, dar contribuição, corrigir informações, mas na última instância deve crer que se aquela pessoa está naquele cargo, é por vontade de Deus.
Quando quem comanda se baseia nesta obediência a Deus, se houver contestação e resistência ( e sempre há!), Deus mesmo dirá ao superior, como disse a Jeremias: “Eu faço de ti uma fortaleza. Não te vencerão porque estou contigo.”
7.5 CONCLUSÃO
Para superar a atual crise de obediência no mundo e na Igreja, é preciso apaixonar-se pela obediência. Há uma razão que nos deve levar a essa “paixão”: á complacência de Deus. Quando Abraão cumpriu aquela extraordinária obediência a Deus em relação a seu filho Isaac, Deus lhe disse: “Todas as nações da terra serão abençoadas na tua descendência, PORQUE OBEDECESTE À MINHA VOZ” (Gen 22,18).
E como Jesus obedeceu ao Pai, está escrito que “Deus O exaltou e lhe deu um Nome que está acima de todos os nomes” (Fil 2). A complacência de Deus Pai por quem Lhe obedece através de Sua Palavra não tem limites. É o Espírito Santo que o afirma, porque está escrito que “Deus dá o Espírito Santo a quem se submete a Ele.” (At. 5,33).
Irmãos e irmãs quiséramos entrar na fileira dos OBEDIENTES A DEUS. Há uma palavra muito pequena, que devemos repetir sempre: “EIS-ME!” Abraão, chamado por Deus, disse: “Eis-me!” Moisés, Isaías, Samuel, disseram: “Eis-me!” Maria disse: “Eis-me!” Como foi grande o “Eis-me!” de Maria! Ela é o modelo desta obediência à Palavra de Deus. Maria é ao lado de Jesus o símbolo da obediência a Deus. Por isto Santo Ireneu intitula Maria de “a nova EVA obediente”.
Irmãos, ao amanhecer de cada dia, não sabemos o que nos espera. Ao iniciar novo trabalho, nova fase da vida, não sabemos o que virá para nós. Mas é muito belo, no início do dia ou do trabalho, poder dizer: “SENHOR, VENHO FAZER A TUA VONTADE!”
Não sabemos como será o futuro da RCC, da Igreja, do mundo, mas é belo caminharmos para este futuro, levando no coração esta palavra: “EIS-ME AQUI, SENHOR; VENHO PARA FAZER A TUA
VONTADE.” (Pe Raniero Catalamessa)
(Pe. Raniero Catalamessa – Pregador do Papa)
São Pedro em sua 1ª carta põe uma ligação muito estreita entre santidade e obediência. Ele afirma que os cristãos são aqueles que forma “eleitos segundo a presciência de Deus Pai, pela santificação do Espírito, PARA OBEDECER A JESUS CRISTO” (I Ped 1,2). Depois acrescenta: “Como filhos, obedientes, não consintais em modelar a vossa vida de acordo com as paixões de outrora, do tempo de vossa ignorância.” Antes, como é Santo Aquele que vos chamou, tornai-vos também santos em todo o vosso comportamento, porque está escrito: “SÊDE SANTOS PORQUE EU SOU SANTO” (1,14-15). “Pela obediência à verdade, purificastes as vossas almas para praticardes um amor fraternal sem hipocrisia. Amai-vos, pois, uns aos outros ardorosamente, e com um coração puro” (1,22).
Então, os cristãos são santificados pela obediência.
Obediência à Palavra de Deus, pois ela não nos santifica automaticamente, mas somente enquanto nos submetemos a ela e lhe obedecemos.
7.1 – A OBEDIÊNCIA DE CRISTO – O FUNDAMENTO DA NOSSA OBEDIÊNCIA
Que é OBEDIÊNCIA? – Bata ver em que idéia de obediência se baseia a definição que a Escritura faz de Jesus como “o OBEDIENTE por excelência”. O verdadeiro fundamento da obediência cristã não é um princípio abstrato como o de Aristóteles; “Os inferiores devem obedecer aos superiores”. Não é uma idéia de obediência que está na base da obediência cristã, e sim uma ATO de obediência, que se expressa com estas palavras: “Cristo se fez por nós obediente até a morte e morte de cruz”(Fil 2). “Aprendeu a obediência por meio do sofrimento, tornando-se CAUSA da salvação de todos aqueles que Lhe obedecem”. Nós todos fomos santificados por aquele ato de obediência de Cristo. Em que consistiu aquele ato de Jesus? – Certamente Jesus – menino obedecia a seus pais. Adulto, obedecia às Leis e Instituições; submeteu-se a Pilatos, ao Sinédrio. Não é este o tipo de obediência a que São Pedro se refere, mas sim à obediência de Jesus ao Pai.
De fato a obediência de Jesus é antítese perfeita da desobediência de Adão. A quem Adão desobedeceu, para ser o desobediente por excelência? Aos Pais? não . Às leis? Não existia ainda, Adão desobedeceu a Deus.
A obediência envolve toda a vida de Jesus, desde que começou a existir no seio da Virgem Maria, quando disse: “Eis que venho, ó Deus, para fazer a Tua vontade” – até o último suspiro na cruz. A obediência é a tessitura conectiva da vida de Jesus.
“ Cristo, embora fosse Filho, aprendeu a obediência pelo sofrimento; e levado à perfeição, se tornou para todos os que Lhe obedecem ao princípio da salvação eterna” (Heb 5,8-9).
A obediência de Jesus não consistiu somente na sua morte. Jesus obedeceu durante toda a sua vida, a ponto de poder dizer: “Meu alimento consiste em fazer a Vontade do Pai.” Jesus obedece à PALAVRA DE DEUS escrita nos salmos, nos profetas, Palavra que foi escrita para Ele. Toda a vida de Jesus é como guiada por uma esteira luminosa, constituída pelas palavras que o Pai colocou na Escritura par que Ele, o Messias, as cumprisse.
Assim é quando Jesus luta contra satanás. Qual é a sua arma? “Está escrito.” E assim satanás é vencido, fulminado. Quando os soldados vão prender Jesus, os Apóstolos tentam impedir.
Mas Jesus diz: “Como se cumprirão as Escrituras, segundo as quais é preciso que seja assim?” Jesus se deixa prender para obedecer ao Pai, que através das Escrituras Lhe manifestara Sua vontade
A grandeza extraordinária da obediência de Jesus se mede concretamente pelas coisas que Ele sofreu, que foram, como sabemos, tremendas! A obediência de Jesus, do ponto de vista existencial, pessoal se mede pela atitude com que ele obedece. Jesus obedece com o espírito de FILHO, em plena liberdade, com amor absoluto. Jesus morreu na cruz dizendo: “Pai, em Tuas mãos entrego o meu espírito”. JESUS NA CRUZ ABANDONOU AO DEUS QUE O ABANDONAVA, e esta é a Rocha da nossa salvação. Abandonar-se a Deus, enquanto Deus parece que está nos abandonando! Este é o último grau da obediência.
7.2 – OBEDIÊNCIA COMO GRAÇA – O BATISMO
No quinto capítulo da Carta aos Romanos, São Paulo apresenta Cristo como o chefe dos obedientes. No sexto capítulo – nós cristãos entramos na esfera da obediência de Cristo, e assim somos salvos. Isto acontece por meio do Batismo. Se você se torna escravo de alguém, deve obedecer-lhe.
No Batismo aconteceu uma real mudança de domínio; você passou da parte dos filhos de Adão para o lado dos filhos da obediência: irmão de Jesus. A obediência na vida cristã não é algo acessório, mas fundamental. Não há senhorio de Jesus, se da nossa parte não há a vontade de obedecer. É verdade que Deus Pai constituiu JESUS SENHOR, mas nós somos aqueles sobre quem Ele é o Senhor! Por isso não temos somente o dever, mas também a graça de obedecer ao Senhor.
A obediência cristã tem suas raízes no Batismo. No início do cristianismo todos os cristãos faziam voto de obediência. O Concílio Vaticano II fala do chamado universal à santidade. Mas como não é possível a santidade sem obediência, concluímos que existe, sim, um chamado de Deus à obediência como algo acessível e praticável.
7.3 – A OBEDIÊNCIA COMO DEVER – A IMITAÇÃO DE CRISTO
Pesquisando no Novo Testamento, em que consiste este DEVER DE OBEDECER, fazermos uma descoberta surpreendente: Aí se fala de todos os tipos de obediência: a dos filhos aos pais, às leis, às instituições humanas. Mas a obediência de um homem a outro homem é secundária. São Paulo fala de obediência à fé, ao ensino (que é a Palavra de Deus), ao Evangelho, à Verdade, ao Cristo. São Pedro fala de uma obediência à Verdade. Pergunto: É possível falar de obediência a Deus, à Palavra de Deus HOJE, em que temos 2.000 anos de distância na vida da Igreja? HOJE, que a vontade de Deus já está toda escrita, codificada em leis, cânones e tradições. É possível ainda hoje para um cristão que vem ao mundo 2.000 anos depois da vinda de Cristo, experimentar algo da obediência de Cristo ao Pai?
O Espírito Santo guia e dirige, isto é, GOVERNA a Igreja com dois tipos de dons: hierárquicos e carismáticos. O Espírito Santo santifica a Igreja não só através dos Sacramentos e dos Ministérios (sacerdócio, hierarquia), mas também através dos dons carismáticos, pelos quais torna o povo de Deus apto para assumir tarefas e ofícios que servem para edificação da Igreja.
A obediência a Deus ou ao Espírito Santo volta a ser não apenas possível, mas indispensável no momento em que essa dimensão pneumática e hierárquica estão juntas e não contrapostas. Assim como não podemos separar a alma do corpo sem que existisse uma morte, assim também não podemos dividir a Igreja institucional e a Igreja mistério.
Mas como a Igreja do Espírito Santo e a Igreja hierárquica não podem ser separadas, assim também não se pode separar a obediência a Deus da obediência aos homens, à hierarquia, às leis, etc. Então, a obediência à autoridade, à hierarquia, às leis, se torna critério, para ver se um cristão é
verdadeiramente obediente ou se ele apenas crê que obedece.
Perguntamos: COMO SE FAZER PARA OBEDECER AO ESPÍRITO SANTO?
- Vejamos: Tu escutas uma Palavra de Deus durante o Grupo de Oração, no sermão da Missa, ou privadamente no teu quarto, e te sentes interpelado por esta palavra. Sabes: “Esta palavra é uma ordem de Deus para mim agora.” É um movimento do Espírito Santo, que chamamos de “inspiração”. É tão suave, que facilmente o podemos sufocar. Sentes que o Senhor quer de ti algo definido, uma tarefa concreta, porém essa clareza desaparece logo. Sentes que não podes cumpri-la apenas com recursos da tua inteligência, porque a inspiração não veio da tua inteligência, mas de Deus, e por isso é só pelo Espírito Santo que podes abordá-la.
Que fazer então? – Procura teu confessor, teu diretor espiritual, teu superior, a autoridade visível da Igreja, submete a ela teu chamado e confia na Igreja, porque é ela que te dará a certeza de estar obedecendo a Deus.
7.3.1 – TESTEMUNHO PESSOAL
Estou falando de modo abstrato, de uma experiência que é minha, pessoal e concreta.
Poucos meses depois de haver recebido o Batismo no Espírito Santo, voltei dos Estados Unidos para a Itália, onde era Professor na Universidade de Milão. Num momento de oração no meu quarto, aconteceu um fato que mudou minha vida. Naquela oração percebi, sem nada de milagroso, uma voz que ressoava dentro de mim, Era a voz de JESUS, e disso tenho plena certeza. Era Jesus, que saía de Nazaré e começava a pregar pela 1ª vez o Reino de Deus, que estava iminente; era o momento da esperança. Jesus me disse no coração, com toda simplicidade, como o faz também como todos vocês. Ele disse: “Raniero, se queres vir ajudar-me a pregar o Reino de Deus, deixa a Universidade, deixa tua cátedra e vem”.
Tive receio de que Jesus passasse sem que eu estivesse pronto para dar o meu SIM. Mas pela graça de Deus, no mesmo instante eu disse aquele SIM. A Universidade, meus títulos e cargos universitários, a cátedra, o Departamento de Ciências Religiosas, tudo caiu do meu coração e só ficou o SIM que eu disse a Jesus.
Depois de alguns dias, me apresentei ao meu Superior Geral em Roma e lhe disse: “Creio que o Senhor quer de mim uma mudança de vida; que deixe tudo para pregar o Reino de Deus.” O Superior me disse: “Espera um ano, vamos rezar e depois veremos.” Então durante o ano aquela luz toda se apagou e eu me perguntava: “Deixo tudo, mudo minhas atividades, mas o que vou fazer, então?” Não via nada. Só sabia que um dia tinha recebido uma ordem de Deus e tinha dito SIM, mais nada.
Tanto que no fim daquele ano vim a Roma novamente e fui falar com meu Superior, perguntando: “Passou um ano; que vou fazer agora?” Após termos rezado juntos, ele me disse: “Sim, é a vontade de Deus. Os outros vão dizer que tu estás louco, mas 10 anos depois vão reconhecer que foi Deus que te chamou.”
Meus irmãos foi a obediência à Igreja que salvou minha obediência a Deus, e enquanto viver vou abençoar aquele Superior. Se sou pregador da Palavra de Deus é porque um dia o Senhor me chamou
Três meses depois daquela conversa, fui nomeado pregador da Casa Pontifícia, no Vaticano.
A obediência a Deus é algo que podemos fazer sempre, sempre. Quando Deus “descobre” uma pessoa disposta a obedecer, Ele manda, manda, sempre mais, na vida daquela pessoa, em todos os aspectos: pessoal familiar, etc., pois sabe que quanto mais Sua vontade entra no sangue e na vida de alguém, sem a pessoa se dar conta, torna-se mais santa.
7.3.2 – O SEGREDO
Sim, há um “segredo prático” para caminharmos nessa direção. OBEDECER A DEUS É APRESENTAR QUESTÕES A DEUS.
Em Êxodo 18, o genro de Moisés, Jetro, deu-lhe este conselho. Antes de tomar nossas decisões, OREMOS A DEUS. Se você acha que não obteve resposta, não faz mal: você quis submeter sua decisão a Deus. Vá em frente.
Todos podemos obedecer, porque temos Jesus Cristo e Sua Palavra para submetermos a ela todos os aspectos de nossa vida. Conheço um cristão convertido, a quem o Senhor deu uma única regra de vida: obedeça à Palavra!”
Hoje no mundo há um choque entre duas forças: o reino dos rebeldes e o reino dos obedientes de Cristo. No choque entre estes dois reinos, a vitória está na obediência. Somente os que obedecem a Cristo salvar-se-ão da confusão e da rebelião. Nossa palavra de ordem será a obediência a Deus e nada mais
7.4 – OBEDIÊNCIA E AUTORIDADE NA RCC
Todos devem obedecer a Deus e à Palavra de Deus, também os líderes e superiores, pois a santidade está na obediência.
A verdadeira fonte da autoridade está na obediência a Deus, isto é, na união da vontade do superior, do sacerdote, do bispo, do Papa, com a vontade de Deus.
Um dia apresentou-se a Jesus um oficial romano e no correr do encontro ele disse que assim como seus subalternos lhe obedeciam porque ele era portador de autoridade para eles, assim Jesus era portador da autoridade do Pai. O centurião tinha compreendido que a força, a autoridade extraordinária de Jesus vinha de sua obediência ao Pai. Jesus mesmo havia declarado: “Eu faço sempre o que agrada ao Pai.”
Esta autoridade na RCC, da Igreja, não pode ser baseada somente NO CARGO que a pessoa exerce, porque A FONTE DA AUTORIDADE DE ALGUÉM É A SUA PRÓPRIA OBEDIÊNCIA E SUBMISSÃO A DEUS.
Um líder não deve dar muitas ordens SUAS; ele deve sempre basear-se no fato de que ele mesmo está obedecendo e fazendo a vontade de Deus. Quem comanda, deve basear-se o mínimo possível no seu CARGO, e o máximo possível na SUA PRÓPRIA SUBMISSÃO a Deus. Mas quem obedece, deve basear-se o menos possível NA PESSOA DO SUPERIOR E MAIS NO CARGO DELE. O súdito não tem o direito de perguntar a si mesmo se o superior está obedecendo a Deus, porque isso seria o FIM da obediência. O súdito deve ter em mente que aquele homem preenche um cargo, e deve simplesmente obedecer-lhe.
Claro que se pode dialogar, dar contribuição, corrigir informações, mas na última instância deve crer que se aquela pessoa está naquele cargo, é por vontade de Deus.
Quando quem comanda se baseia nesta obediência a Deus, se houver contestação e resistência ( e sempre há!), Deus mesmo dirá ao superior, como disse a Jeremias: “Eu faço de ti uma fortaleza. Não te vencerão porque estou contigo.”
7.5 CONCLUSÃO
Para superar a atual crise de obediência no mundo e na Igreja, é preciso apaixonar-se pela obediência. Há uma razão que nos deve levar a essa “paixão”: á complacência de Deus. Quando Abraão cumpriu aquela extraordinária obediência a Deus em relação a seu filho Isaac, Deus lhe disse: “Todas as nações da terra serão abençoadas na tua descendência, PORQUE OBEDECESTE À MINHA VOZ” (Gen 22,18).
E como Jesus obedeceu ao Pai, está escrito que “Deus O exaltou e lhe deu um Nome que está acima de todos os nomes” (Fil 2). A complacência de Deus Pai por quem Lhe obedece através de Sua Palavra não tem limites. É o Espírito Santo que o afirma, porque está escrito que “Deus dá o Espírito Santo a quem se submete a Ele.” (At. 5,33).
Irmãos e irmãs quiséramos entrar na fileira dos OBEDIENTES A DEUS. Há uma palavra muito pequena, que devemos repetir sempre: “EIS-ME!” Abraão, chamado por Deus, disse: “Eis-me!” Moisés, Isaías, Samuel, disseram: “Eis-me!” Maria disse: “Eis-me!” Como foi grande o “Eis-me!” de Maria! Ela é o modelo desta obediência à Palavra de Deus. Maria é ao lado de Jesus o símbolo da obediência a Deus. Por isto Santo Ireneu intitula Maria de “a nova EVA obediente”.
Irmãos, ao amanhecer de cada dia, não sabemos o que nos espera. Ao iniciar novo trabalho, nova fase da vida, não sabemos o que virá para nós. Mas é muito belo, no início do dia ou do trabalho, poder dizer: “SENHOR, VENHO FAZER A TUA VONTADE!”
Não sabemos como será o futuro da RCC, da Igreja, do mundo, mas é belo caminharmos para este futuro, levando no coração esta palavra: “EIS-ME AQUI, SENHOR; VENHO PARA FAZER A TUA
VONTADE.” (Pe Raniero Catalamessa)
7 – OBEDIÊNCIA
(Pe. Raniero Catalamessa – Pregador do Papa)
São Pedro em sua 1ª carta põe uma ligação muito estreita entre santidade e obediência. Ele afirma que os cristãos são aqueles que forma “eleitos segundo a presciência de Deus Pai, pela santificação do Espírito, PARA OBEDECER A JESUS CRISTO” (I Ped 1,2). Depois acrescenta: “Como filhos, obedientes, não consintais em modelar a vossa vida de acordo com as paixões de outrora, do tempo de vossa ignorância.” Antes, como é Santo Aquele que vos chamou, tornai-vos também santos em todo o vosso comportamento, porque está escrito: “SÊDE SANTOS PORQUE EU SOU SANTO” (1,14-15). “Pela obediência à verdade, purificastes as vossas almas para praticardes um amor fraternal sem hipocrisia. Amai-vos, pois, uns aos outros ardorosamente, e com um coração puro” (1,22).
Então, os cristãos são santificados pela obediência.
Obediência à Palavra de Deus, pois ela não nos santifica automaticamente, mas somente enquanto nos submetemos a ela e lhe obedecemos.
7.1 – A OBEDIÊNCIA DE CRISTO – O FUNDAMENTO DA NOSSA OBEDIÊNCIA
Que é OBEDIÊNCIA? – Bata ver em que idéia de obediência se baseia a definição que a Escritura faz de Jesus como “o OBEDIENTE por excelência”. O verdadeiro fundamento da obediência cristã não é um princípio abstrato como o de Aristóteles; “Os inferiores devem obedecer aos superiores”. Não é uma idéia de obediência que está na base da obediência cristã, e sim uma ATO de obediência, que se expressa com estas palavras: “Cristo se fez por nós obediente até a morte e morte de cruz”(Fil 2). “Aprendeu a obediência por meio do sofrimento, tornando-se CAUSA da salvação de todos aqueles que Lhe obedecem”. Nós todos fomos santificados por aquele ato de obediência de Cristo. Em que consistiu aquele ato de Jesus? – Certamente Jesus – menino obedecia a seus pais. Adulto, obedecia às Leis e Instituições; submeteu-se a Pilatos, ao Sinédrio. Não é este o tipo de obediência a que São Pedro se refere, mas sim à obediência de Jesus ao Pai.
De fato a obediência de Jesus é antítese perfeita da desobediência de Adão. A quem Adão desobedeceu, para ser o desobediente por excelência? Aos Pais? não . Às leis? Não existia ainda, Adão desobedeceu a Deus.
A obediência envolve toda a vida de Jesus, desde que começou a existir no seio da Virgem Maria, quando disse: “Eis que venho, ó Deus, para fazer a Tua vontade” – até o último suspiro na cruz. A obediência é a tessitura conectiva da vida de Jesus.
“ Cristo, embora fosse Filho, aprendeu a obediência pelo sofrimento; e levado à perfeição, se tornou para todos os que Lhe obedecem ao princípio da salvação eterna” (Heb 5,8-9).
A obediência de Jesus não consistiu somente na sua morte. Jesus obedeceu durante toda a sua vida, a ponto de poder dizer: “Meu alimento consiste em fazer a Vontade do Pai.” Jesus obedece à PALAVRA DE DEUS escrita nos salmos, nos profetas, Palavra que foi escrita para Ele. Toda a vida de Jesus é como guiada por uma esteira luminosa, constituída pelas palavras que o Pai colocou na Escritura par que Ele, o Messias, as cumprisse.
Assim é quando Jesus luta contra satanás. Qual é a sua arma? “Está escrito.” E assim satanás é vencido, fulminado. Quando os soldados vão prender Jesus, os Apóstolos tentam impedir.
Mas Jesus diz: “Como se cumprirão as Escrituras, segundo as quais é preciso que seja assim?” Jesus se deixa prender para obedecer ao Pai, que através das Escrituras Lhe manifestara Sua vontade
A grandeza extraordinária da obediência de Jesus se mede concretamente pelas coisas que Ele sofreu, que foram, como sabemos, tremendas! A obediência de Jesus, do ponto de vista existencial, pessoal se mede pela atitude com que ele obedece. Jesus obedece com o espírito de FILHO, em plena liberdade, com amor absoluto. Jesus morreu na cruz dizendo: “Pai, em Tuas mãos entrego o meu espírito”. JESUS NA CRUZ ABANDONOU AO DEUS QUE O ABANDONAVA, e esta é a Rocha da nossa salvação. Abandonar-se a Deus, enquanto Deus parece que está nos abandonando! Este é o último grau da obediência.
7.2 – OBEDIÊNCIA COMO GRAÇA – O BATISMO
No quinto capítulo da Carta aos Romanos, São Paulo apresenta Cristo como o chefe dos obedientes. No sexto capítulo – nós cristãos entramos na esfera da obediência de Cristo, e assim somos salvos. Isto acontece por meio do Batismo. Se você se torna escravo de alguém, deve obedecer-lhe.
No Batismo aconteceu uma real mudança de domínio; você passou da parte dos filhos de Adão para o lado dos filhos da obediência: irmão de Jesus. A obediência na vida cristã não é algo acessório, mas fundamental. Não há senhorio de Jesus, se da nossa parte não há a vontade de obedecer. É verdade que Deus Pai constituiu JESUS SENHOR, mas nós somos aqueles sobre quem Ele é o Senhor! Por isso não temos somente o dever, mas também a graça de obedecer ao Senhor.
A obediência cristã tem suas raízes no Batismo. No início do cristianismo todos os cristãos faziam voto de obediência. O Concílio Vaticano II fala do chamado universal à santidade. Mas como não é possível a santidade sem obediência, concluímos que existe, sim, um chamado de Deus à obediência como algo acessível e praticável.
7.3 – A OBEDIÊNCIA COMO DEVER – A IMITAÇÃO DE CRISTO
Pesquisando no Novo Testamento, em que consiste este DEVER DE OBEDECER, fazermos uma descoberta surpreendente: Aí se fala de todos os tipos de obediência: a dos filhos aos pais, às leis, às instituições humanas. Mas a obediência de um homem a outro homem é secundária. São Paulo fala de obediência à fé, ao ensino (que é a Palavra de Deus), ao Evangelho, à Verdade, ao Cristo. São Pedro fala de uma obediência à Verdade. Pergunto: É possível falar de obediência a Deus, à Palavra de Deus HOJE, em que temos 2.000 anos de distância na vida da Igreja? HOJE, que a vontade de Deus já está toda escrita, codificada em leis, cânones e tradições. É possível ainda hoje para um cristão que vem ao mundo 2.000 anos depois da vinda de Cristo, experimentar algo da obediência de Cristo ao Pai?
O Espírito Santo guia e dirige, isto é, GOVERNA a Igreja com dois tipos de dons: hierárquicos e carismáticos. O Espírito Santo santifica a Igreja não só através dos Sacramentos e dos Ministérios (sacerdócio, hierarquia), mas também através dos dons carismáticos, pelos quais torna o povo de Deus apto para assumir tarefas e ofícios que servem para edificação da Igreja.
A obediência a Deus ou ao Espírito Santo volta a ser não apenas possível, mas indispensável no momento em que essa dimensão pneumática e hierárquica estão juntas e não contrapostas. Assim como não podemos separar a alma do corpo sem que existisse uma morte, assim também não podemos dividir a Igreja institucional e a Igreja mistério.
Mas como a Igreja do Espírito Santo e a Igreja hierárquica não podem ser separadas, assim também não se pode separar a obediência a Deus da obediência aos homens, à hierarquia, às leis, etc. Então, a obediência à autoridade, à hierarquia, às leis, se torna critério, para ver se um cristão é
verdadeiramente obediente ou se ele apenas crê que obedece.
Perguntamos: COMO SE FAZER PARA OBEDECER AO ESPÍRITO SANTO?
- Vejamos: Tu escutas uma Palavra de Deus durante o Grupo de Oração, no sermão da Missa, ou privadamente no teu quarto, e te sentes interpelado por esta palavra. Sabes: “Esta palavra é uma ordem de Deus para mim agora.” É um movimento do Espírito Santo, que chamamos de “inspiração”. É tão suave, que facilmente o podemos sufocar. Sentes que o Senhor quer de ti algo definido, uma tarefa concreta, porém essa clareza desaparece logo. Sentes que não podes cumpri-la apenas com recursos da tua inteligência, porque a inspiração não veio da tua inteligência, mas de Deus, e por isso é só pelo Espírito Santo que podes abordá-la.
Que fazer então? – Procura teu confessor, teu diretor espiritual, teu superior, a autoridade visível da Igreja, submete a ela teu chamado e confia na Igreja, porque é ela que te dará a certeza de estar obedecendo a Deus.
7.3.1 – TESTEMUNHO PESSOAL
Estou falando de modo abstrato, de uma experiência que é minha, pessoal e concreta.
Poucos meses depois de haver recebido o Batismo no Espírito Santo, voltei dos Estados Unidos para a Itália, onde era Professor na Universidade de Milão. Num momento de oração no meu quarto, aconteceu um fato que mudou minha vida. Naquela oração percebi, sem nada de milagroso, uma voz que ressoava dentro de mim, Era a voz de JESUS, e disso tenho plena certeza. Era Jesus, que saía de Nazaré e começava a pregar pela 1ª vez o Reino de Deus, que estava iminente; era o momento da esperança. Jesus me disse no coração, com toda simplicidade, como o faz também como todos vocês. Ele disse: “Raniero, se queres vir ajudar-me a pregar o Reino de Deus, deixa a Universidade, deixa tua cátedra e vem”.
Tive receio de que Jesus passasse sem que eu estivesse pronto para dar o meu SIM. Mas pela graça de Deus, no mesmo instante eu disse aquele SIM. A Universidade, meus títulos e cargos universitários, a cátedra, o Departamento de Ciências Religiosas, tudo caiu do meu coração e só ficou o SIM que eu disse a Jesus.
Depois de alguns dias, me apresentei ao meu Superior Geral em Roma e lhe disse: “Creio que o Senhor quer de mim uma mudança de vida; que deixe tudo para pregar o Reino de Deus.” O Superior me disse: “Espera um ano, vamos rezar e depois veremos.” Então durante o ano aquela luz toda se apagou e eu me perguntava: “Deixo tudo, mudo minhas atividades, mas o que vou fazer, então?” Não via nada. Só sabia que um dia tinha recebido uma ordem de Deus e tinha dito SIM, mais nada.
Tanto que no fim daquele ano vim a Roma novamente e fui falar com meu Superior, perguntando: “Passou um ano; que vou fazer agora?” Após termos rezado juntos, ele me disse: “Sim, é a vontade de Deus. Os outros vão dizer que tu estás louco, mas 10 anos depois vão reconhecer que foi Deus que te chamou.”
Meus irmãos foi a obediência à Igreja que salvou minha obediência a Deus, e enquanto viver vou abençoar aquele Superior. Se sou pregador da Palavra de Deus é porque um dia o Senhor me chamou
Três meses depois daquela conversa, fui nomeado pregador da Casa Pontifícia, no Vaticano.
A obediência a Deus é algo que podemos fazer sempre, sempre. Quando Deus “descobre” uma pessoa disposta a obedecer, Ele manda, manda, sempre mais, na vida daquela pessoa, em todos os aspectos: pessoal familiar, etc., pois sabe que quanto mais Sua vontade entra no sangue e na vida de alguém, sem a pessoa se dar conta, torna-se mais santa.
7.3.2 – O SEGREDO
Sim, há um “segredo prático” para caminharmos nessa direção. OBEDECER A DEUS É APRESENTAR QUESTÕES A DEUS.
Em Êxodo 18, o genro de Moisés, Jetro, deu-lhe este conselho. Antes de tomar nossas decisões, OREMOS A DEUS. Se você acha que não obteve resposta, não faz mal: você quis submeter sua decisão a Deus. Vá em frente.
Todos podemos obedecer, porque temos Jesus Cristo e Sua Palavra para submetermos a ela todos os aspectos de nossa vida. Conheço um cristão convertido, a quem o Senhor deu uma única regra de vida: obedeça à Palavra!”
Hoje no mundo há um choque entre duas forças: o reino dos rebeldes e o reino dos obedientes de Cristo. No choque entre estes dois reinos, a vitória está na obediência. Somente os que obedecem a Cristo salvar-se-ão da confusão e da rebelião. Nossa palavra de ordem será a obediência a Deus e nada mais
7.4 – OBEDIÊNCIA E AUTORIDADE NA RCC
Todos devem obedecer a Deus e à Palavra de Deus, também os líderes e superiores, pois a santidade está na obediência.
A verdadeira fonte da autoridade está na obediência a Deus, isto é, na união da vontade do superior, do sacerdote, do bispo, do Papa, com a vontade de Deus.
Um dia apresentou-se a Jesus um oficial romano e no correr do encontro ele disse que assim como seus subalternos lhe obedeciam porque ele era portador de autoridade para eles, assim Jesus era portador da autoridade do Pai. O centurião tinha compreendido que a força, a autoridade extraordinária de Jesus vinha de sua obediência ao Pai. Jesus mesmo havia declarado: “Eu faço sempre o que agrada ao Pai.”
Esta autoridade na RCC, da Igreja, não pode ser baseada somente NO CARGO que a pessoa exerce, porque A FONTE DA AUTORIDADE DE ALGUÉM É A SUA PRÓPRIA OBEDIÊNCIA E SUBMISSÃO A DEUS.
Um líder não deve dar muitas ordens SUAS; ele deve sempre basear-se no fato de que ele mesmo está obedecendo e fazendo a vontade de Deus. Quem comanda, deve basear-se o mínimo possível no seu CARGO, e o máximo possível na SUA PRÓPRIA SUBMISSÃO a Deus. Mas quem obedece, deve basear-se o menos possível NA PESSOA DO SUPERIOR E MAIS NO CARGO DELE. O súdito não tem o direito de perguntar a si mesmo se o superior está obedecendo a Deus, porque isso seria o FIM da obediência. O súdito deve ter em mente que aquele homem preenche um cargo, e deve simplesmente obedecer-lhe.
Claro que se pode dialogar, dar contribuição, corrigir informações, mas na última instância deve crer que se aquela pessoa está naquele cargo, é por vontade de Deus.
Quando quem comanda se baseia nesta obediência a Deus, se houver contestação e resistência ( e sempre há!), Deus mesmo dirá ao superior, como disse a Jeremias: “Eu faço de ti uma fortaleza. Não te vencerão porque estou contigo.”
7.5 CONCLUSÃO
Para superar a atual crise de obediência no mundo e na Igreja, é preciso apaixonar-se pela obediência. Há uma razão que nos deve levar a essa “paixão”: á complacência de Deus. Quando Abraão cumpriu aquela extraordinária obediência a Deus em relação a seu filho Isaac, Deus lhe disse: “Todas as nações da terra serão abençoadas na tua descendência, PORQUE OBEDECESTE À MINHA VOZ” (Gen 22,18).
E como Jesus obedeceu ao Pai, está escrito que “Deus O exaltou e lhe deu um Nome que está acima de todos os nomes” (Fil 2). A complacência de Deus Pai por quem Lhe obedece através de Sua Palavra não tem limites. É o Espírito Santo que o afirma, porque está escrito que “Deus dá o Espírito Santo a quem se submete a Ele.” (At. 5,33).
Irmãos e irmãs quiséramos entrar na fileira dos OBEDIENTES A DEUS. Há uma palavra muito pequena, que devemos repetir sempre: “EIS-ME!” Abraão, chamado por Deus, disse: “Eis-me!” Moisés, Isaías, Samuel, disseram: “Eis-me!” Maria disse: “Eis-me!” Como foi grande o “Eis-me!” de Maria! Ela é o modelo desta obediência à Palavra de Deus. Maria é ao lado de Jesus o símbolo da obediência a Deus. Por isto Santo Ireneu intitula Maria de “a nova EVA obediente”.
Irmãos, ao amanhecer de cada dia, não sabemos o que nos espera. Ao iniciar novo trabalho, nova fase da vida, não sabemos o que virá para nós. Mas é muito belo, no início do dia ou do trabalho, poder dizer: “SENHOR, VENHO FAZER A TUA VONTADE!”
Não sabemos como será o futuro da RCC, da Igreja, do mundo, mas é belo caminharmos para este futuro, levando no coração esta palavra: “EIS-ME AQUI, SENHOR; VENHO PARA FAZER A TUA
VONTADE.” (Pe Raniero Catalamessa)
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